Pastor Josias Moura

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Sermão: SENDO FIEL A DEUS EM CIRCUNSTANCIAS DIFICEIS

Palavra Ministrada por Josias Moura na celebração da Santa Ceia na Igreja do Betel Brasileiro Geisel, em Março de 2014

SENDO FIEL A DEUS MESMO EM

CIRCUNSTANCIAS DIFICEIS

Daniel 3:13-18

1. Introdução

Novamente vemos o rei Nabucodonozor num ataque de raiva (v. 13; ver v. 19 e 2:12). Ele havia conquistado muitas cidades e nações, mas não conseguia dominar a si mesmo. A bíblia diz que "Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma c idade" (Pv 16:32).

Os três oficiais hebreus, porém, mostravam-se calmos e respeitosos. A bíblia nos ensina a buscar esta calma em situações difíceis. Pedro nos recomenda: “Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor” (1 Pe. 3:15, 16).

Sadraque, Mesaque e Abnego eram respeitados. Nabucodonozor devia ter um respeito especial por esses homens e pelo trabalho que realizavam no império, pois lhes deu mais uma chance de obedecer a suas ordens.

Esse respeito havia sido conquistado pelo exemplo, pela conduta e trabalho que eles realizavam com integridade. Essa forma de agir atraiu contra eles a inveja de outros. Tem gente que não suporta a idéia de que estamos crescendo com a ajuda de Deus.

Nabucodonozor certamente tinha esquecido de que havia chamado o Deus deles de "Deus dos deuses, e o Senhor dos reis" (Dn 2:47), pois perguntou com arrogância: "E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?" (Dn 3:15; ver Êx 5:2). Na verdade, o rei estava afirmando que ele próprio era um deus! Em seu comportamento Nabucodonozor revela a sua insensatez:

  • Ele foi insensato em se orgulhar colocando-se como um Deus.
  • Foi insensato por não ser grato por tudo que Deus havia feito no passado. Há pessoas que tem memória curta, e se tornam incapazes de lembrar das grandes coisas que Deus fez no passado.
  • Em pouco tempo Nabucodonozor seria humilhado e teria de confessar que o Deus dos hebreus é "Deus, o Altíssimo" e que ninguém deve blasfemar contra o nome dele.

2. Em situações difíceis, nossa defesa é o Senhor.

Os três homens poderiam ter transigido com o rei e defendido sua Desobediência com argumentos como: "Todos estão fazen­do isso", ou "É uma das obrigações de nos­so cargo", ou ainda "Dobraremos nossos joelhos, mas não o nosso coração". Pode­riam ter dito:— Podemos ser mais úteis para nosso povo como oficiais a serviço do rei do que como cinzas na fornalha do rei.

Contudo, a verdadeira fé não procura brechas para escapar; simplesmente obede­ce a Deus e sabe que ele fará aquilo que for melhor. A fé verdadeira baseia-se em ordens e em pro­messas, não em argumentos e explicações.

Tempos de adversidade normalmente são tempos de oportunidade, especialmente quando o povo de Deus está sendo perseguido por sua fé. São nestes momentos de adversidade, que a Igreja tem a oportunidade de testemunhar. Jesus disse a seus discípulos: "Porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoita­dos, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho" (Mc 13:9).

Os três judeus corajosos não estavam preo­cupados consigo mesmos nem estavam com medo da fúria do rei. Sua única preocupação era obedecer ao Senhor e dar um testemu­nho fiel a todos que os estavam vendo e ouvindo. Sua atitude foi respeitosa, suas pala­vras foram poucas e escolhidas com cuidado:

"Quanto a isto não necessitamos de te responder" (Dn. 3:16) significa: "Não preci­samos nos defender nem defender nosso Deus, pois nosso Deus cuidará da sua pró­pria defesa e da nossa."

Nossa tarefa é obedecer a Deus e confiar nele, e ele fará o resto. Acerca dessa confiança declara Isaías: Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o S e n h o r Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação” (Is 12:2)

3. Confiar em Deus nas horas difíceis é a atitude daquele que tem a consciência que Deus tem sempre uma saída, uma porta aberta ou um plano melhor para cada um de nós. E nós, muitas vezes, não sabemos que plano é este.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não eram homens presunçosos, mas homens de fé.

Homens presunçosos planejam por si mesmos, confiam em si mesmos e usam o nome de Deus em favor de seus próprios interesses e planos. Homens de fé buscam o conselho de Deus, esperam sinais de Deus e sabem que no tempo certo o socorro virá.

Se eles tivessem afirmado que Deus iria livrá-los, teriam sido pretensiosos, pois não sabiam o que Deus estava planejando para a situação deles. Antes, afirmaram que o Deus deles era capaz de livrá-los, mas que, ainda que não o fizesse, não se prostrariam diante da figura de ouro do rei.

No mundo de hoje, existe algo que eu chamaria de "fé comercial" que diz: "Obedeceremos a Deus se ele nos recompensar por isso". Trata-se, mais uma vez, da filosofia de adoração do diabo: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (Mt 4:9; Jó 1:9-12). A Fé comercial é uma fé barganhadora, interesseira e fundamentada na troca de favores.

Sadraque, Mesaque é Abdenego não eram motivados por este tipo de fé. Eles revelam em suas palavras que mesmo que não vissem livramento algum da parte de Deus, seriam capazes de continuar sendo fieis ao Senhor.

Nestes anos de vida pastoral, já ouvi pessoas fazerem promessas a Deus para tentar “persuadi-lo” a curá-las ou para mudar sua situação. Em troca disso, alguns chegam a dizer: “Senhor se fizeres isso ou aquilo, eu também farei isso ou aquilo por Ti…”.

Nossa atitude tem que ser diferente. Devemos sempre dizer ao Senhor, que seremos fieis a Ele, mesmo que não vejamos nada de extraordinário acontecer conosco nas horas difíceis.

Desde os primeiros dias na Babilônia, Daniel e seus amigos decidiram que se comportariam assim, e o Senhor os capacitou a permanecerem firmes em todas as circunstancias. E eles de fato, foram capazes de ser fieis a Deus em todas as circunstancias, mesmo que nada viesse a acontecer nas horas difíceis eles seriam decidiram ser

4. Existem aqueles que pela fé experimentam o livramento imediato de Deus, mas também existem aqueles que mediante a fé atravessam vales e grandes provações.

Precisamos entender que o livramento de Deus pode vir caso Ele queira dar de forma imediata. Mas se Deus permitir que venhamos a enfrentar provações, podemos ter a certeza que não desfaleceremos em nossas fraquezas.

Hebreus 11 apresenta uma relação de nomes e feitos de grandes homens e mulheres da fé que inclui esses três homens judeus (Hb 11:34), mas no versículo 36 o escritor diz: "…outros, por sua vez foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor."

Estará o autor de Hebreus falando aqui de pessoas que parecem ter fracassado apesar de sua fé? (vv. 36-40).

De forma nenhuma. Não se trata aqui de pessoas que fracassaram. O termo grego significa "outros de um tipo diferente", ou seja, outros que tiveram fé, mas não viram Deus realizar os mesmos milagres que fez por aqueles que são citados nos trinta e cinco versículo anteriores.

Aprendemos aqui algo muito importante: Deus sempre recompensa a fé, mas nem sempre interfere e faz milagres específicos e imediatos. Nem todos os que oram serão curados de imediato, mas Deus sempre dá forças para suportar a dor e graça para enfrentar a morte sem medo.

Os três homens hebreus criam que Deus podia livrá-los, mas confiariam nele, mesmo que não o fizesse. E assim que a fé deve funcionar em nossa vida (ver Habacuque 3:17-19).

Certa vez, o apostolo Paulo, pediu a Deus que tirasse um espinho de sua carne. Para alguns este espinho era uma enfermidade. Se de fato este espinho fosse uma enfermidade, em lugar de uma cura, Deus lhe deu uma promessa: “Paulo, a minha graça te basta o meu poder se aperfeiçoa através de tuas fraquezas” (2 Coríntios 12:7-9).

Portanto, nem sempre o livramento vem de imediato, e nessa situação Deus envia no lugar disso a graça para suportarmos as lutas dessa vida e a sabedoria para que possamos contorna-las.

5. Conclusão

Que nós saibamos ser fieis a Deus em toda e qualquer circunstância. Se houverem milagres sejamos fieis a Deus, se não houverem, sejamos fieis a Deus, sabendo que em toda e qualquer circunstância Ele nos capacitará.

Que saibamos sempre confiar no Senhor como nos ensina o profeta Habacuque no capitulo 3: 17 e 18:

"Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais,18. mesmo assim eu darei graças ao SENHOR e louvarei a Deus, o meu Salvador”.

Josias Moura de Menezes,

João Pessoa, março de 2014.

É formado em Teologia,  Análise e desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. Especializado  em Tecnologias de aprendizagem a distância,  produção de conteúdos digitais para a Internet e Mestre em Teologia.

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