Artigo para reflexão teologica e pastoral: Um novo coração para uma nova atitude

A crença nos mostra o caminho.
A fé anda por ele.
C. Thorpe1
Reveja suas crenças
Uma das razões por que Caim não viu possibilidades para reco­meçar está ligada ao fato de que sua doutrina, seu sistema de cren­ça, não lhe permitiu visualizar a oportunidade de refazer seus pontos de vista e dar uma nova chance a si mesmo. A falsa crença de que para ele não havia mais jeito o destruiu.
Aquilo em que acreditamos é de extrema importância para nosso equilíbrio mental e emocional. Aquilo em que acredita­mos exerce uma influência muito forte sobre nós. O que nos torna felizes não são as outras pessoas, nem os acontecimentos, nem as coisas materiais, nem as circunstâncias de nossa vida. O que nos torna felizes ou infelizes são as noções que temos acerca de tais fatores.2

Em vez de tentar de novo, Caim prefere virar as costas para Deus, entregar-se à sua falsa doutrina – ao seu falso conceito de que tudo estava perdido. Esse aspecto da síndrome de Caim preva­lece até hoje. Por não reavaliarmos nossa doutrina, acabamos nos entregando a falsos conceitos, que destroem toda possibilidade de vitória.
Se quisermos mudar a atitude do coração, precisamos começar por nossa doutrina, nosso sistema de crenças. Precisamos construir a vida sobre uma crença adequada e coerente com a Bíblia.
Jesus vivia a vida com base numa doutrina: “Maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas”.3 Era isto que dava autoridade a Jesus: sua vida emanava de uma doutrina, um sistema de crenças. Não era apenas o seu ensino – sua fala -, mas sua vida toda era o produto de uma doutrina celestial. Cada olhar, palavra, passo e atitude do mestre espelhavam um conjunto de princípios. Ele não vivia aleatoriamente!
Ao lermos os evangelhos, podemos identificar com facilidade esse sistema de crença. Vejamos alguns aspectos:

  • doutrina sobre o sustento: Mateus 4.4;
  • doutrina sobre felicidade: Mateus 5.1-11;
  • doutrina que deve reger nossos relacionamentos com ini­migos: Mateus 5.43,44;
  • doutrina sobre o perdão: Mateus 6.14,15;
  • doutrina sobre o porquê da sua presença neste mundo: João 10.10; 12.47; Marcos 2.17;
  • doutrina sobre o uso correto de nossa boca: Mateus 5.37; 15.11.

Para mudar nossa atitude interior, precisamos rever nossa dou­trina. Qual é o conjunto de princípios que estamos usando para basear nossa existência?
Viver com base num sistema adequado de doutrina é a garantia do desfrute de muitas vantagens significativas. Veja algumas comigo:

  • Quando nos lembramos do que cremos sobre a soberania de Deus, isso nos inspira segurança!
  • Quando nos lembramos do que cremos sobre a oni­presença de Deus – um Deus que sempre está presente -, essa crença nos livra do medo em qualquer situação!
  • Quando nos lembramos do que cremos sobre a onisciência de Deus – um Deus que conhece tudo -, isso pro­move perspectivas para o futuro, mesmo que no presente elas inexistam.
  • Quando nos lembramos do que cremos sobre a onipo­tência de Deus – um Deus que pode tudo e nenhum dos seus planos pode ser frustrado -, isso nos alimenta a esperança, promove em nosso coração a certeza de que Deus sabe, Deus tem e fará o melhor para nossa vida, apesar das adversidades do tempo presente!
  • Quando nos lembramos do que cremos a respeito desta vida – da sua transitoriedade,4 de que ela não é tudo, que é só uma passagem para a eternidade -, isso produz dentro de nós a força necessária para vivermos aqui sem de­sespero, porque sabemos onde está o nosso tesouro maior!
  • Quando nos lembramos de que cremos na eternidade, isso abre nossos horizontes para vermos além do aqui e do agora, e conseqüentemente esperamos da vida muito além do que nos é oferecido aqui.
  • Quando nos lembramos do que cremos sobre o corpo incorruptível que Deus nos reserva na eternidade, essa crença promove alívio, porque eu não estou fadado – predestinado – a suportar para sempre este corpo limi­tado, com suas dores e doenças!
  • Viver com base num sistema de crenças nos dá firmeza na vida, segurança em relação ao futuro, possibilitando-nos saber como enfrentarmos as contrariedades que o ama­nhã nos reserva em diferentes etapas!
  • A doutrina nos livra de cairmos em heresias! E ainda mais: viver sob um sistema de crenças nos dá autoridade sobre o Diabo! Quando cremos no poder do nome de Jesus, adquirimos a força desse poder e, defini­tivamente, nessas condições, o Diabo não pode suportar, muito menos vencer!

Todos nós, querendo ou não, temos um sistema de crenças. O problema é que esse sistema pode ser verdadeiro ou falso. Por isso, não podemos escapar de alguns questionamentos muito sérios a esse respeito.
No que cremos?
Será que podemos descrever com clareza nossa doutrina?
No que cremos sobre Deus?
No que cremos sobre Jesus?
No que cremos sobre o Espírito Santo?
No que cremos sobre o pecado?
No que cremos sobre o céu?
No que cremos sobre o inferno?
No que cremos sobre o Diabo?
No que cremos sobre a salvação?
Qual é o nosso conjunto de crenças?
Que base tem nossa doutrina?
Em que ela está alicerçada?
Depois da morte de Leonice, minha primeira mulher, o fim do dia e a noite eram os períodos mais difíceis de suportar. Num des­ses momentos, dialoguei com uma voz que, a princípio, pensei ser apenas as minhas reflexões saudosas. Mas, pelo conteúdo da fala, entendi que era um ataque maligno. A voz me questionava:
– Veja como Deus está punindo você. Ele lhe tirou a mulher da sua juventude. O que você fez de terrível para que Deus lhe punisse assim?
Entrei em profunda crise. Culpa, raiva de mim mesmo e da vida, dor da perda.
Meu inferno particular foi interrompido pela presença de uma terceira voz. Ela era terna, mas firme. Confrontadora, mas sem per­der a delicadeza. Com autoridade, porém paterna. Audível, mas sussurrante:
– Espere aí, Jacó. Será que isso combina com o Deus a quem você serve? Ele é bondoso com você por causa da graça dele ou por causa das suas boas obras? Seus pecados não foram punidos em seu filho, Jesus Cristo? Como ele estaria novamente punindo você? Seu Deus realmente é justo?
– Como assim? – indaguei.
A voz sussurrante prosseguiu:
– Se Deus o está punindo por seus possíveis pecados, ele puni­ria inocentes também?
– Não – respondi!
Tolerantemente, a voz continuou:
– Se Deus o estivesse punindo, ele teria de estar punindo tam­bém seus filhos, uma vez que eles perderam a mãe. Ademais, não é verdade que seus pecados foram punidos na cruz em Cristo?
“A ficha caiu”! Percebi que o Diabo estava querendo me des­truir, levando-me a estabelecer uma doutrina errada sobre a pessoa de Deus e sua graça. E mais: ele queria fundamentar minha vida sobre a filosofia furada do desempenho da religião humana – a salvação pelas obras.5
O Diabo queria me fazer crer no modelo da religiosidade hu­mana, na qual reconciliar com Deus é sempre uma tentativa humana, através de sua própria dignidade. E um expediente do homem peca­dor, buscando satisfazer a maior necessidade da alma – a comunhão com Deus -, por seus esforços pessoais. O ho­mem é o protagonista da ação e Deus é um mero coadjuvante. O homem desempenha o papel principal e Deus auxilia o seu trabalho.6
Quase me esqueci de que tinha sido aceito por Deus através dos méritos de Cristo. Por sua maravilhosa graça fui salvo, não por meus méritos. Eu fui aceito por ele sem qualquer predicado de minha parte. Quase me esqueci de que, antes de amá-lo, ele me amou primeiro; fui aceito por ele por pura obra da sua plena graça, antes de aceitá-lo.
Então, crer num Deus pleno de graça, bondade e misericórdia não combinava com a premissa maligna em questão. Entendi, na­quele momento, a necessidade de relembrar minha teologia, cla­rear minha doutrina, explicitar meu sistema de crenças.
Como é o Deus em quem eu creio? Essa foi a pergunta que per­meou minhas reflexões. Dividirei as constatações com você, leitor.

  • O Deus em quem eu creio é um Deus bom!

Ele nutre, no íntimo do seu coração, os melhores desejos por mim. Jamais retira a sua bondade.7 Ela me acompanha por todos os dias da minha vida.8 Seu coração bondoso me protege.9 O Deus em quem eu creio não me trata segundo minhas obras, mas segun­do sua bondade.10 É a sua benevolência que me coroa a vida.11 O seu coração bondoso deseja sempre o melhor para mim!12

  • O Deus em quem eu creio é um Deus sábio!

Além de bondoso, o seu coração é sábio.13 Por isso, ele sabe o que é melhor para mim! Ele é a fonte da sabedoria.14 A sua capaci­dade de conhecimento é inescrutável.15 A sua loucura é mais sábia que a sabedoria humana.16 Em sua onisciência – seu perfeito co­nhecimento -, ele sabe perfeitamente tudo de que eu preciso.17 O coração do meu Deus não é possuído por um desejo abstrato: ele não só deseja o melhor para mim, como sabe o que é melhor para mim!18

  • O Deus em quem eu creio é um Deus poderoso!

O meu Deus é poderoso.19 Seu poder pode executar tudo e nenhum dos seus planos pode ser frustrado.20
Ele pode fazer o melhor para mim!21 Seu coração não só possui uma boa intenção, e seu entendimento não é apenas curioso a res­peito de minhas necessidades: ele é poderoso para fazer com que seja acrescentado a mim, em todas as coisas e em todo o tempo, tudo o que é necessário, por meio de sua infinita graça.22
E o seu poder que me mantém de pé. É a sua capacidade de executar todas as coisas que me incentiva a enfrentar a vida com alegria.23

  • O Deus em quem eu creio é um Deus fiel!24

Ele é bom, é sábio e é poderoso. Ele não só deseja, sabe e pode, como fará o melhor para mim. Ele não só promete, como tem ca­pacidade para cumprir o que promete.25 Ele vela sobre sua palavra para cumpri-la.26 Ele é competente tanto em prometer quanto em realizar!27 Ele é fiel em todas as suas promessas e é bondoso em tudo o que faz.28
Sua fidelidade é grande, dia após dia tem bênçãos sem fim. É ela que me sustenta e me guarda. Quando minha vida é envolvida pela provação, sua fidelidade me envolve e providencia um cami­nho de escape, para que eu possa suportá-la.29

  • O Deus em quem eu creio é um Deus paciente!

Deus não tem pressa. O seu plano, para minha vida, dura a existência toda. Pacientemente, ele me dá o tempo necessário, até que eu esteja pronto. Então, ele realiza o seu melhor em minha vida.
É por isso que, muitas vezes, nós o temos por tardio. Mas a verdade é que ele não se adianta nem se atrasa. Ele chega na hora certa, no momento exato, com fidelidade. Ele espera até que eu esteja preparado para provar o que é melhor para mim.
Você se lembra de Gideão e de seus testes no capítulo sexto do livro de Juízes? Pacientemente, Deus esperou até que ele estivesse pronto para obedecer, e só então cumpriu o melhor para Gideão e seu povo.

  • O Deus em quem eu creio é um Deus justo!

Ele me dá segurança em cada situação, porque suas obras são perfeitamente justas!30 A principal característica dos feitos de Deus é a justiça.31 Ele sabe diferenciar, com justiça, aquele que lhe ser­ve.32 Seu julgamento é justo.33
Por incrível que pareça, a justiça de Deus é conhecida até mes­mo no inferno. Nenhuma pessoa que será lançada no inferno ficará ofendida e rancorosa com Deus. O inferno será formado por pes­soas que reconhecerem a sua culpabilidade. Ninguém se sentirá injustiçado no inferno. Todos saberão que estão lá por merecimen­to. Todos serão tomados pelo convencimento de que Deus fez tudo o que precisava ser feito para evitar sua condenação.
Por isso, posso esperar que tudo o que Deus fará em minha vida será produto da sua justiça. Jamais serei injustiçado por Deus!

  • O Deus em quem eu creio é um Deus que se importa comigo!

Ele vê as agressões dos “feitores” da minha vida e escuta o meu clamor.34 Ele não é alheio ao meu sofrimento: ele sente a minha dor e se envolve!
O meu Deus não está assentado num trono, olhando, indiferen­temente, a minha vida. Não! Ele se põe a meu lado! Entrelaça-se com minha existência e se compadece como um pai.35 Jamais me esquece!
Nas noites frias, ele me aquece. Nas madrugadas, quando reter o choro é inevitável, sua bondade me dará um novo amanhecer, pleno de alegria.36 Se a existência me lança na fornalha da aflição, ele me envolve com a paz da sua presença.37 Se, em determinadas situações, as minhas palavras não são suficientes para comunicar, ainda assim ele sabe o que quero dizer!38 Se meu coração é ferido por alguém, ele derrama o bálsamo que cura!39 Quando meus ini­migos se levantam e a maldição me parece certa, ele a transforma em bênçãos!40 Se me vejo só, sua voz mansa e delicada sussurra: “Não tema, porque estou com você”.41

A fundamentação correta
O que eu fiz, nessa circunstância, foi exatamente o que os auto­res do livro Fale a verdade consigo mesmoi2 nos orientam a praticar, a fim de vivermos uma vida plena e vitoriosa:

  • Identificar nossas falsas crenças: identifiquei que aqueles pensamentos que eu tivera sobre Deus não eram verda­deiros.
  • Refutar nossas falsas crenças: eu os contestei à luz da ver­dade bíblica.
  • Substituir nossas falsas crenças por uma verdadeira, a bí­blica: finalmente, fundamentei minha vida sobre uma doutrina correta.

Identifique, refute e substitua suas falsas crenças relacionadas à sua vida espiritual e também às outras áreas da sua existência.
Depois de quase três anos após a morte de Leonice, constato que não teria suportado essa perda se não fosse a minha doutrina, meu credo. Foi a crença sobre o meu Deus que me capacitou a celebrar a vida, mesmo vestida de dor. Foi todo o conjunto de prin­cípios que redirecionou meus olhos para o futuro, guardado na mão do Todo-poderoso..
Se eu não tivesse fundamentado minha vida sobre uma doutri­na correta, teria sido enganado pela voz maligna, como aconteceu com Caim. Ele sabia sobre Deus, mas não respirava toda a crença que envolve uma vida íntima com o Senhor. O ar que enchia seus pulmões era seco da comunhão com o Pai, e, quanto menos se evidenciava essa proximidade, mais a crença se distanciava do seu coração, impossibilitando-o de fincar raízes na doutrina certa, tor­nando-o vulnerável às influências malignas. Foi a ausência de uma doutrina verdadeira, originária das verdades divinas, que contri­buiu significativamente para que ele se entregasse aos enganos do seu coração.
Se quisermos mudar nossa atitude e nos livrar da síndrome de Caim, temos de fundamentar nossa vida numa doutrina sadia, que seja coerente com o caráter de Deus.
Por isso, eu o desafio a dedicar um tempo, agora, para compor (ou recompor) sua doutrina, sua teologia de vida.

Trecho extraído do livro:

A Síndrome de Caim

J. Jacó Vieira

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