Professor: Pr. Josias Moura de Menezes

CURSO: ANALISE NOS LIVROS DE APOCALIPSE E DANIEL.

MINISTRADO NO STEAD – SEMINÁRIO TEOLÓGICO DA ASSEMBLÉIA DE DEUS NO RIO GRANDE DO NORTE

 
Parte I

•1.  O LIVRO DO APOCALIPSE

O Apocalipse desperta interesse em quase todas as pessoas, principalmente nos últimos anos, por ocasião da mudança de milênio. Cristãos ou não, religiosos ou não, muitos são os que têm grande curiosidade em relação ao livro. Entretanto, o medo e a falta de compreensão acabam por afastar o interessado.

Neste estudo, temos o objetivo de conhecer o livro sem a pretensão de desvendá-lo completamente. Trata-se de uma introdução ao estudo do Apocalipse. Apresentaremos, porém, algumas hipóteses de interpretação em linhas gerais. Quando mencionarmos teorias a respeito de determinado ponto, não significa que adotamos esta ou aquela posição, exceto quando declararmos nossa postura.

O Apocalipse contém, logo no início, uma mensagem de bênção para os seus leitores. “Bem-aventurado aquele que lê, e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo.” (Ap.1.3). O texto nada diz sobre a compreensão, mas sobre o conhecimento. É desejável que entendamos o Apocalipse. Se, porém, não entendermos, este não deve ser o motivo para que o abandonemos. Precisamos ler, ouvir, estudar, guardar o seu conteúdo. Pode ser que muitas de suas profecias não possam ser compreendidas antes de se cumprirem. Contudo, se as conhecemos, poderemos reconhecê-las quando se cumprirem e, reconhecendo, poderemos tomar as atitudes certas no momento certo. Jesus disse: “… quando virdes… a abominação da desolação… então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes.” (Mt.24.15). Portanto, quando certos fatos ocorrerem, nós poderemos identificá-los, caso estejamos munidos do conhecimento profético.

1.1)        O GÊNERO APOCALÍPTICO

 Esse foi um estilo literário que se destacou principalmente entre os anos 210 a.C. e 200 d.C. Seu ambiente de origem era uma época de tribulação para povo de Deus. Diante de circunstâncias que incluíam opressão, perseguição, exílio ou domínio estrangeiro, os escritos apocalípticos traziam uma mensagem de esperança através de uma linguagem enigmática. Seu objetivo era reanimar judeus ou cristãos, trazendo-lhes profecias a respeito da futura intervenção divina para libertar o seu povo, restituindo-lhe a glória usurpada.

Muitos “apocalipses” surgiram, tendo como principal modelo o livro de Daniel. Este foi escrito durante o exílio Babilônico e trazia uma mensagem sobre o Reino de Deus que viria destruindo todos os reinos opressores. Daí em diante, muitos livros apocalípticos foram produzidos. Um dos momentos de opressão vividos por Israel foi o domínio romano, produzindo assim mais uma ocasião propícia a esse tipo de literatura, que muitas vezes incluía profecias messiânicas. Diversos escritos desse tipo não foram reconhecidos como canônicos. Como exemplos podemos citar o Apocalipse de Baruque, Apocalipse de Pedro, O Pastor de Hermas, A Assunção de Moisés, A Ascensão de Isaías, O livro de Jubileus, Os Salmos de Salomão, Os Testamentos dos Doze Patriarcas, I Livro de Enoque, II Livro de Enoque, II Esdras e IV Esdras.

O Apocalipse de João se encaixa perfeitamente nessa corrente literária. Contudo, seu messianismo não se encontra vago como em outros escritos. Nele, o Messias é claramente identificado como sendo o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Este é o único livro desse gênero no Novo Testamento. Contudo, existem blocos apocalípticos em outras partes da bíblia. Por exemplo: Daniel 7 a 12, Isaías 13,14, 24, 25, Ezequiel 1, 28 a 39, Zacarias 9 a 14, Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21, I Tessalonicenses 5 e II Tessalonicenses 2. .

1.2)       CARACTERÍSTICAS, CONTEÚDO E AUTORIA DOS LIVROS APOCALÍPTICOS

Características e conteúdo: Mensagem de esperança, escatologia, intervenção divina, visões, símbolos, criaturas estranhas, mensagem oculta, uso de pseudônimos, profecias e apelo à imaginação.

O Apocalipse de João só não se encaixa no quesito pseudônimo. Os escritores apocalípticos normalmente não assinavam suas obras. Muitos colocavam algum outro nome famoso e reconhecido, como Enoque, Salomão, etc., para darem mais credibilidade ao livro. João, porém, colocou seu próprio nome, conforme vemos no livro (Ap.1.1,4,9-11). Tal autoria é reconhecida pela maior parte dos críticos e comentaristas. Há quem diga que alguém usou o nome de João, mas essa hipótese não tem muitos adeptos.

Alguns detalhes do livro reforçam a crença na autoria joanina. Jesus é apresentado como o Verbo de Deus e o Cordeiro (Ap.19.7,13), exatamente como acontece no evangelho de João (1.1,29). A palavra “testemunho” se destaca assim como acontece no evangelho e na primeira e terceira epístolas. Notamos assim “a mão” de João no Apocalipse.

1.3)       O QUE É APOCALIPSE?

Esta palavra, de origem grega, significa “revelação”. Revelar é mostrar, tirar o véu, desvendar. Falamos do Apocalipse como algo oculto. Porém, trata-se de uma revelação. O livro revela que Deus tem um plano, cujo desfecho é a vitória de Cristo. Podemos não saber o que é a besta, mas sabemos que ela será vencida pelo poder de Deus. Esta revelação está clara e evidente no Apocalipse.

1.4)       DADOS GERAIS

Autor – O apóstolo João – 1.1,4,9-11;

Destinatários – As 7 igrejas da Ásia (em geral, fundadas por Paulo).

Data – 95 ou 96 d.C.

Local – Patmos – ilha vulcânica, rochosa e estéril, localizada a 56 km da costa da Ásia Menor (Turquia). Para lá eram enviados os prisioneiros na época do imperador romano Domiciano (81 a 96). Outra hipótese defendida por alguns é a de que João tenha estado lá em algum momento do governo de Nero (54-68).

Idioma – Grego (Ap.1.8; 21.6; 22.13).

Tema – Conflito entre o bem e o mal. A vitória de Cristo e a implantação do seu Reino.

Versículo-chave – Apc.1.7.

Versículo-esboço – Apc.1.19.

Características particulares – Único livro bíblico com bênção e maldição relacionadas ao seu uso (1.3 e 22.18-19).

Classificação – livro profético. (único do NT embora haja blocos proféticos em outros livros como em Mt.24, Mc.13, Lc.21, etc.).

Personagem central – O Cordeiro.

Destaques – Verbo vencer (Apc. 2 e 3; 12.11; 15.2; 17.4; 21.7); Testemunho (Apc.1.2,9; 6.9; 12.11,17; 19.10; 20.4; 22.18,20). Verbo vir (referente à vinda de Cristo) (Apc. 1.4,7,8; 2.5,16; 3.3,11; 4.8; 22.20).

 

1.5)       GÊNESIS X APOCALIPSE

Existe um paralelo evidente entre Gênesis e Apocalipse, conforme se observa pelos itens a seguir:

 GÊNESIS APOCALIPSE
Início Fim
Criação da terra Nova terra
Criação do céu Novo céu
Criação do sol A Nova Jerusalém não precisa do sol
Vitória de Satanás Derrota de Satanás
Adão Cristo
Eva Igreja (noiva)
Entrada do pecado Fim do pecado
Maldição Fim da maldição
Bloqueado caminho à árvore da vida. Acesso à árvore da vida.

 

1.6)       CIRCUNSTÂNCIAS E OBJETIVO

Na época em que o Apocalipse foi escrito, a igreja estava sofrendo muito por causa da perseguição do Império Romano. João estava preso em Patmos e todos os outros apóstolos do primeiro grupo haviam morrido. Seria natural que muitos começassem a questionar se aquele não seria o fim do cristianismo. Será que a igreja resistiria àquela fúria das forças do mal?

O livro de João vem mostrar o futuro: o castigo dos ímpios, a volta de Cristo, seu triunfo juntamente com a igreja e o estabelecimento do Reino de Deus. O Império Romano não prevaleceria contra os desígnios divinos.

1.7)       A LINGUAGEM SIMBÓLICA

A linguagem direta tem suas limitações. A transmissão de uma mensagem complexa pode exigir uma infinidade de palavras e ainda assim ficar obscura. Alguns fenômenos, experiências e elementos naturais não podem sequer ser explicados de modo compreensível. Como podemos explicar a um cego de nascença o que seja cor? Qualquer explicação, por mais correta e científica que seja, não lhe dará nenhuma idéia a respeito do assunto.

Como explicar um sabor, um cheiro ou um som? Nenhuma informação substituirá a experiência. As palavras serão inúteis. Nesses momentos de dificuldade, sempre procuramos um elemento de comparação. Buscamos algo que já seja do conhecimento do ouvinte e usamos para dar uma idéia a respeito do que queremos dizer sem ter encontrado palavras adequadas.

Se temos esse problema em relação a elementos naturais, o que dizer dos espirituais, cuja essência nem sabemos definir? O espírito é uma realidade bíblica. Contudo, sua definição ou identificação de “substância” é algo fora do nosso alcance. O que dizer então de Deus, da trindade, do céu e das realidades celestiais? Por isso, a bíblia usa tanto a linguagem simbólica. Por outro lado, como se diz, “uma imagem vale mais que mil palavras”. Então, até mesmo lições relativamente simples são transmitidas através de figuras, propiciando assim um recurso poderoso que leva a mensagem de forma concentrada, fixando-a na mente do receptor.

Por exemplo, quando Jesus disse que era o “pão da vida” (Jo.6.35), ele buscou um elemento do cotidiano dos seus ouvintes para mostrar que ele vinha suprir a necessidade espiritual do homem. Quando a bíblia fala em “reino de Deus”, está buscando na monarquia, sistema de governo comum naquela época, uma série de princípios existentes na relação rei-súdito que deveriam existir na nossa relação com Deus. A linguagem simbólica traz muito conteúdo em poucas palavras. Assim, se usamos o leão como símbolo, logo nos vem a mente sua ferocidade, sua coragem, sua força, sua fome, sua beleza, sua “majestade”, etc. Se falamos em cordeiro, estamos destacando sua cor e sua índole como símbolos de pureza, inocência, docilidade, submissão, etc.

Todos nós estamos bastante acostumados à linguagem simbólica. Utilizamos diariamente tais recursos para enriquecer nossa fala. Estamos sempre fazendo comparações implícitas ou explícitas de modo automático.

Os escritos apocalípticos têm ainda um motivo a mais para usar a linguagem simbólica: era a necessidade de criptografar a mensagem, de modo que os inimigos nada compreendessem a respeito da mesma. Só os destinatários poderiam decifrá-la.

1.8)        QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO

•1.8.1.1)  TEXTO SIMBÓLICO OU LITERAL?

Este é um dos maiores dilemas que envolvem o estudo bíblico. O que é literal e o que é simbólico? Encontramos ambos os casos dentro das Escrituras. Então o problema se torna maior: como discernir o literal do simbólico? Tal tarefa nem sempre é fácil. Muitas vezes é difícil e, em algumas situações, parece impossível, a não ser que tenhamos uma iluminação divina.

A história de Adão e Eva é literal ou simbólica? Tais personagens são reais ou fictícios? O profeta Jonas foi mesmo engolido por um peixe ou trata-se de uma parábola? Entendemos como literais ambos os casos, uma vez que o próprio Jesus citou a história de Jonas como fato e Paulo citou Adão e Eva da mesma forma. Contudo, isso não convence àqueles que vêem toda a bíblia como algo figurativo. Se todo o conteúdo bíblico for simbólico, então anula-se o seu aspecto concreto. A bíblia seria então comparável a qualquer obra de ficção e o cristianismo seria lendário. Por outro lado, se todo o seu conteúdo for considerado literal, então muitas passagens se tornarão inexplicáveis ou absurdas. Por exemplo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna.” (João 6.54). Logicamente, Jesus estava utilizando linguagem simbólica. Muitos dos seus ouvintes o interpretaram literalmente e o resultado foi o escândalo (João 6.52). Da mesma forma, quando Jesus disse que Nicodemos precisava nascer de novo, aquele doutor da lei tomou suas palavras de modo literal. O mesmo entendimento foi aplicado sobre “derrubar o templo e reconstruí-lo em três dias”. Precisamos de discernimento para não cairmos no mesmo erro.

No Apocalipse iremos encontrar farto material com textos simbólicos. No capitulo 12 de Apocalipse vemos toda uma descrição simbólica associada a história de Israel no Antigo Testamento e da Igreja  do Novo Testamento.

Muitas vezes, é a falta de fé que faz com que algumas pessoas considerem como simbólico um texto literal. Por exemplo, a ressurreição de Cristo pode ser tão inacreditável para alguns, que podem acabar considerando-a um símbolo.

Encontramos na bíblia diversas situações que envolvem o literalismo e o simbolismo:

•1.8.1.2)  Texto literal

É aquele que se refere a fatos. São histórias ou profecias. Se desconsiderarmos seu caráter literal, estaremos anulando as palavras de Deus. Por exemplo, a crucificação de Jesus está relatada em um texto literal (Mt.27). As cartas às sete igrejas do Apocalipse, referem-se a Igrejas que literalmente existiram.

•1.8.1.3)  Texto simbólico

É aquele em que adotamos um significado que foge completamente ao sentido normal do texto que estamos examinando. Por exemplo, a parábola do filho pródigo (Lc.15). Na interpretação dos selos apocalípticos no capitulo 6, o simbolismo predomina.

•1.8.1.4)  Termo literal e simbólico alternadamente

Uma palavra pode ser usada literalmente em uma passagem bíblica e como símbolo em outra. Por exemplo, as estrelas no Salmo 8.3 são literais. Em Apocalipse 1.20, as estrelas são simbólicas, representam anjos. Em Apocalipse 9.1, a estrela é simbólica e parece representar uma pessoa ou um anjo. Em Apocalipse 8.10-12, a estrela pode ser simbólica ou literal. Nesse caso, não podemos afirmar com certeza. Vemos, portanto, que uma palavra pode ser usada de várias formas na bíblia. Isso mostra que não podemos fazer uma regra e achar que toda estrela na bíblia seja um símbolo.

•1.8.1.5)  Símbolo com mais de um sentido alternadamente

Alguns termos, quando usados como símbolos, podem ter um sentido em um texto e sentido diferente ou até contrário em outra passagem. Por exemplo, o leão representa Cristo em um texto (Ap.5.5) e Satanás em outro (I Pd.5.8). A “estrela da manhã” representa Cristo em um texto (Apc.22.16) e o Diabo em outro (Is.14.12). Não temos nisso nenhuma confusão. Um símbolo é usado na bíblia como um recurso didático e não de forma mística, como se aquele animal estivesse “consagrado” para representar sempre determinada pessoa. Não podemos, portanto, fazer uma regra. Cada texto pode apresentar uma situação diferente. Existem porém, elementos na literatura ou na tradição judaica que nos permitem enxergar alguns padrões de simbologia, conforme veremos na seqüência.

1.9)        O SIMBOLISMO NO APOCALIPSE

 João viu realidades espirituais indescritíveis. Notamos seu esforço para explicar o que estava vendo, ouvindo e sentindo. Ele faz diversas comparações na tentativa de transmitir aos leitores suas impressões. Assim, os termos “como”, “semelhante” e o verbo “parecer” são utilizados para dar uma idéia das extraordinárias visões do autor. Em outros momentos ele não faz comparações explícitas mas usa as figuras de forma direta, fazendo comparações implícitas.

Algumas ocorrências de “como” – 1.10,14,15; 2.18,27; 4.1,6,7; 6.1,6,12,13.

Algumas ocorrências de “semelhante” – 1.13; 2.18; 4.3,6,7.

Verbo “parecer” – 9.19.

Os símbolos usados pelo autor eram bem familiares para os seus destinatários. Livros selados, trombetas, carros puxados por cavalos, letras gregas, tudo isso era do conhecimento das pessoas que receberiam o Apocalipse. Ao lermos, precisamos saber o que cada coisa significa e qual era o seu sentido naquela época. Talvez não consigamos isso para todos os itens envolvidos, mas este é o caminho a ser trilhado pelo intérprete.

Quando pensamos em livros, logo imaginamos blocos de páginas de papel envolvidas por capas protetoras. Os livros mencionados em Apocalipse, porém, eram rolos de pergaminho, peles de animais. Eram livros selados. Quando pensamos em selo, logo imaginamos pequenos adesivos utilizados pelos correios. Porém, os selos do apocalipse são lacres, a exemplo daqueles que os reis usavam para fechar suas correspondências, de modo que as mesmas não pudessem ser violadas no meio do caminho. O selo tinha a marca do anel do rei. Portanto, se alguém o quebrasse, não poderia fazer outro igual para substituí-lo.

Estes são apenas alguns exemplos para mostrar que a interpretação do Apocalipse, como também de outras passagens bíblicas, depende muito do conhecimento sobre a antigüidade, principalmente do que se refere ao povo judeu, sua história, seus costumes e tradições. Sem esse conhecimento, sempre correremos o risco das interpretações anacrônicas. Não podemos interpretar o texto bíblico apenas com o sentido atual das palavras ou com base no gosto ou na opinião pessoal. A hermenêutica agradece.

O simbolismo do Apocalipse utiliza como figuras: fenômenos naturais, cores, minerais (pedras preciosas), animais, relações humanas e até nomes significativos da história judaica como Jezabel e Balaão.

1.10)    Fenômenos ou elementos naturais e seus significados

ELEMENTO SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
Ar Vida É nossa necessidade mais urgente
Tempestade (raios, trovões, relâmpagos, saraiva) Perturbações na vida  
Fogo Purificação ou destruição  
Pedras preciosas Algumas vezes representa pessoas.  
Mar Insegurança, perigo, algo sinistro. Em outros textos o mar refere-se as nações. oposto da terra firme.

 

1.11)    Cores e seus significados

COR SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
Preto Luto, sofrimento  
Vermelho (sangue) Morte ou redenção relacionado a Cristo às vezes
Vermelho (púrpura) Realeza roupa dos reis
Amarelo pálido Fome  
Amarelo ouro Santidade de Deus Obs. elementos do tabernáculo
Verde Esperança  
Branco Pureza, justiça Trono, vestes, cabelos, etc.

 

1.12)    NUMEROLOGIA

A numerologia tem sido bastante valorizada atualmente devido à onda crescente de misticismo que envolve nossa sociedade. Os números têm sido considerados elementos de sorte e azar, e, por meio deles, muitos adivinhadores tentam prever o futuro das pessoas. Alguns povos utilizaram as próprias letras do alfabeto como algarismos, atribuindo-lhes valor numérico. Assim, um nome pode ser transformado em números e ter seu valor totalizado. Isso ocorreu, por exemplo, com algumas letras do alfabeto romano e também com o hebraico. O fato de se obter um valor para um nome não nos diz nada, a não ser que os números representem algum valor moral ou espiritual, uma bênção ou uma maldição.

A tradição judaica relaciona alguns números a determinados conceitos religiosos ou cósmicos:

  NÚMERO SIGNIFICADO SENTIDO REFORÇADO
1 Unidade  
2 Fortaleza, confirmação  
3 Divindade  
4 Mundo físico  
5 Perfeição humana  
6 Homem, falha humana 666
7 Perfeição, plenitude  
40 Provação  
70 Sagrado  
12 Religião organizada. 24, 144 mil
1000 Grande quantidade  

A bíblia utiliza muito o simbolismo numérico. O livro de Apocalipse usa tal recurso de forma intensa, principalmente o número 7. Temos 7 igrejas, 7 candeeiros, 7 selos, 7 anjos, 7 trombetas, 7 taças, 7 espíritos, 7 estrelas, etc.

 

1.13)    ALGUNS PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO

Para entender um livro, precisamos lê-lo por completo. Assim, teremos uma visão geral do mesmo. Perceberemos a intenção do autor e a sua mensagem geral. Caso contrário, se lermos um verso aqui e outro lá de modo desordenado, terminaremos com uma coleção de retalhos desconexos. Lendo todo o livro, vamos descobrir que ele é auto-explicativo em alguns pontos, como se vê em Apocalipse 1.20.

Podemos ler o capítulo 12, verso 5, onde o autor menciona o “filho varão”, aquele que “regerá as nações com vara de ferro”. A comparação com 19.13 a 16 nos fará compreender que aquele que “regerá as nações com vara de ferro” chama-se “Verbo de Deus”, “Rei dos reis” e “Senhor dos Senhores”. Logo, o próprio texto já nos mostrou quem é o “filho varão”: o próprio Senhor Jesus. Tal conclusão também se utiliza do conhecimento geral que temos da bíblia. O Salmo 2 chama de “Filho” aquele que “regerá as nações com vara de ferro”. O livro de Hebreus, no capítulo 1, nos informa que esse “Filho” é o Senhor Jesus. Além disso, o evangelho de João (1) nos diz que Cristo é o Verbo que se fez carne.

Fizemos então um rastreamento de várias expressões que nos possibilitam uma interpretação inequívoca sobre o “filho varão” de Apocalipse 12.

Outro exemplo: que dragão será aquele mencionado em Apocalipse 12.3? Se lermos até o versículo 9, teremos a resposta. No capítulo 20, verso 2, a explicação é repetida. O próprio texto diz que o dragão é o Diabo, também conhecido como “antiga serpente”. Que serpente é essa? Aquela de Gênesis 3. Observa-se então que existe uma “linguagem bíblica” que muitas vezes permite que o texto de um livro possa ser interpretado por outro livro bíblico.

Quem é o Cordeiro de Apocalipse 5? Não existe nenhum mistério sobre tal figura, uma vez que João Batista apresentou Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29), sendo ele o definitivo sacrifício tantas vezes representado pelos cordeiros mortos durante as páscoas realizadas desde a saída de Israel do Egito (Êx.12).

O mesmo Jesus é chamado “Leão da Tribo de Judá” (Ap.5.5). A origem de tal expressão encontra-se em Gênesis 49, quando Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos seus filhos. Ao falar de Judá, Jacó profetizou sobre a vinda do Messias (Gn.49.8-12).

É conclusivo também que, se alguém não conhece a bíblia de modo geral, não deve se arriscar no terreno das interpretações apocalípticas. Precisa começar por Gênesis.

Outros exemplos:

A ceifa – Compare Ap.14.16-20 e Mt.13.39-43.

Muitas águas – Ap.17.1 e 17.15

Noiva – Ap.19.7; 21.9-10; 22.17 e Ef.5.25-27.

O fundamento da Nova Jerusalém – igreja – Ap.21.14 e Ef.2.20-21.

 

1.14)    PRINCIPAIS CORRENTES DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE

 1 – Pretérita.

Afirma que todo o apocalipse já se cumpriu. Seus defensores vêem o Império Romano como a representação dos inimigos descritos no livro. A queda do Império teria sido então o ápice do juízo divino profetizado por João. A destruição de Jerusalém, no ano 70, também é vinculada ao Apocalipse por aqueles que localizam sua escrita durante o período de Nero (54-68).

2 – Futurista.

Os futuristas projetam todo o cumprimento do Apocalipse para os últimos dos últimos dias, às vésperas da consumação dos séculos. Afirmam que nada se cumpriu nem está se cumprindo, mas tudo se cumprirá repentinamente no futuro e em um curto espaço de tempo. Esta é a mais escatológica das interpretações, no sentido mais extremo da palavra.

3 – Histórica.

Essa corrente defende a tese de que o Apocalipse vem se cumprindo desde os dias de João até o fim dos séculos. São muitos os que concordam com essa posição. Entretanto, surgem muitas dificuldades e divergências quando se tenta uma identificação entre os fatos ou personagens históricos e os relatos apocalípticos.

4 – Simbólica, ou espiritual.

Os adeptos dessa visão se abstêm de fazer ligações entre as profecias e os fatos. Procuram apenas extrair do Apocalipse as lições e os princípios morais ou espirituais ali contidos.

Não devemos tomar uma postura extremista nessa questão, mas buscar uma visão equilibrada, que pode levar em conta todas as quatro correntes de interpretação. Cremos em um cumprimento histórico que, automaticamente, engloba a visão pretérita e a futurista. Por exemplo, as cartas às 7 igrejas se referiam a problemas existentes nos dias de João. Está cumprido. Entretanto, os princípios espirituais ali presentes são perfeitamente aplicáveis aos nossos dias. Pela sua infinita sabedoria, Deus nos deixou uma Palavra que não perde sua validade.

Devemos nos lembrar que um relato sobre fatos ocorridos nos dias de João pode também ser uma profecia para outra época. Por exemplo, quando escreveu o Salmo 22, o autor estava falando de suas próprias experiências e, ao mesmo tempo, estava profetizando sobre os sofrimentos de Cristo. Vistas sob este ângulo, várias profecias apocalípticas podem ter se cumprido na queda do Império Romano e terem ainda outro cumprimento mais amplo nos últimos dias. A profecia de Jesus em Mateus 24 parece estar ligada à destruição de Jerusalém e também aos últimos dias. “Os que estiverem na Judéia fujam para os montes… Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.” (Mt.24,16,34).

1.15)    ESBOÇO DO APOCALIPSE

Introdução e saudações – 1.1-8

Visão de Jesus glorificado – 1.9-20

Cartas às 7 igrejas – 2.1 a 3.22

Visão do trono no céu – 4.1-11

O livro selado e o cordeiro – 5.1-14.

Abertura dos 6 primeiros selos – 6.1-17.

Os 144 mil selados – 7.1-8.

Visão dos santos na glória – 7.9-17

Abertura do sétimo selo. As quatro primeiras trombetas – 8.1-13.

A quinta e a sexta trombetas – 9.1-21.

O anjo e o livrinho – 10.1-11.

As duas testemunhas – 11.1-14.

A sétima trombeta – 11.15-19.

A mulher e o dragão – 12.1-18.

A besta que subiu do mar – 13.1-10.

A besta que subiu da terra – 13.11-18.

O cordeiro e os remidos no monte Sião – 14.1-5.

Os 3 anjos e suas mensagens – 14.6-13.

A ceifa sobre a terra – 14.14-20.

As 7 taças – 15.1 a 16.21.

A grande Babilônia – 17.1-18

A queda da Babilônia – 18.1-24.

As bodas do Cordeiro – 19.1-10.

O cavaleiro do cavalo branco – 19.11-21.

O milênio – 20.1-6.

A derrota de Satanás – 20.7-10.

Juízo Final – 20.11-15.

Novo céu e nova terra – 21.1-8.

A Nova Jerusalém – 21.9 a 22.5.

Encerramento e saudação final – 22.6-21.

 

 

1.16)    APRESENTAÇÃO DE JESUS NO APOCALIPSE

1.5 – Fiel testemunha, primogênito dentre os mortos, soberano dos reis da terra.

1.13 – Semelhante a filho de homem.

2.18 – Filho de Deus.

3.14 – Amém, testemunha fiel e verdadeira, princípio da criação de Deus.

5.5 – Leão da Tribo de Judá, Raiz de Davi.

5.6 – Cordeiro

6.1 – Cordeiro (e em muitos outros versos).

12.5 – Filho varão

17.14 – Cordeiro, Senhor dos senhores, Rei dos reis.

19.11 – Fiel e verdadeiro.

19.13 – Verbo de Deus.

19.16 – Rei dos Reis, Senhor dos senhores.

22.16 – Raiz, geração de Davi, brilhante estrela da manhã.

 

1.17)    CARTAS ÀS 7 IGREJAS

Esta é a parte mais simples e, consequentemente, a mais citada do Apocalipse. O livro foi enviado às 7 igrejas da Ásia e para cada uma delas havia uma mensagem específica. As cartas seguem quase sempre este esboço:

Destinatário: o anjo da igreja (seu líder).

Autor: o Senhor Jesus.

Conhecimento do Senhor sobre a igreja.

Elogio em relação às qualidades da igreja..

Repreensão contra os erros da igreja.

Aviso sobre a vinda do Senhor e o juízo divino.

Conselho para solução dos problemas mencionados.

Promessa aos vencedores.

A igreja de Filadélfia não foi repreendida. A de Laodicéia não recebeu nenhum elogio. Curiosamente, um sínodo realizado em Laodicéia no século IV negou reconhecimento ao Apocalipse como livro canônico [Champlin].

Em algumas das cartas, percebemos uma relação direta entre a apresentação que o Senhor faz de si mesmo e o conteúdo da mensagem.

Éfeso Candeeiro em 2.1 e 2.5
Esmirna Morte e vida em 2.8 e 2.10-11
Pérgamo Espada em 2.12 e 2.16
Filadélfia Porta aberta ou fechada em 3.7 e 3.8.

 

Nas outras cartas, essa relação não está tão clara. Talvez, tenhamos perdido um pouco das características originais quando o texto foi traduzido.

Entre as teorias existentes sobre as 7 igrejas destacam-se as seguintes:

Teoria 1 – As 7 igrejas representam a história judaica. Observe a citação de Balaão, Jezabel, sinagoga, etc. Não nos parece razoável essa suposição.

Teoria 2 – As 7 igrejas representam a história eclesiástica. Cada igreja representaria um período da história da igreja desde o seu nascimento até a vinda de Cristo. Alguns defensores dessa idéia chegam a dividir a história entre as igrejas. Uma das divisões sugeridas é a seguinte: Éfeso (até o ano 100 d.C.); Esmirna (100-316); Pérgamo (316-500); Tiatira (500-1500); Sardes (1500-1700); Filadélfia (1700-1900); Laodicéia (1900 – fim). Tal possibilidade é bastante interessante, mas não encontramos fundamentos suficientes para comprová-la. Por outro lado, a colocação de datas é bastante temerária. Por mais razoável que possa ser tal interpretação, não podemos perder de vista o fato de que a mensagem de Deus é para nós hoje.

Teoria 3 – As 7 igrejas são apenas aquelas da Ásia, às quais o Apocalipse foi endereçado. Essa posição é literal e perfeita em sua afirmação. Contudo, se a aplicabilidade das cartas fosse restrita àquelas igrejas, então não haveria motivo para que tais mensagens chegassem às nossas mãos. Enfim, todo o livro de Apocalipse nos seria estranho e inútil, pois foi originalmente destinado às 7 igrejas da Ásia. O entendimento literário está exato, mas não podemos desconsiderar o peso simbólico do texto. O próprio número 7, significando perfeição, totalidade ou plenitude, faz com que as 7 igrejas representem a totalidade da igreja de Cristo em todos os tempos e em todos os lugares.

 

1.18)    A ADORAÇÃO NO APOCALIPSE

A adoração é elemento de grande destaque no Apocalipse. O tema central é o combate entre o bem e o mal. Os seres humanos ou celestiais demonstram seu posicionamento nesse conflito através da adoração que prestam. Um dos grandes desejos de Satanás é conseguir para si a adoração que é devida a Deus (Mt.4.9).

 

TEXTO ADORAÇÃO A
Apc.4.10 Deus
Apc.5.12-14 Deus e o Cordeiro
Apc.9.20 Demônios e ídolos
Apc.11.1,16 Deus
Apc.13.4 O dragão e a besta.
Apc.13.12 A besta
Apc.13.15 A imagem da besta
Apc.14.2 Deus
Apc.14.9,11 A besta e sua imagem.
Apc.16.2 A imagem da besta
Apc.19.4 Deus
Apc.19.10 Um anjo (recusada) e Deus
Apc.19.20 A imagem da besta
Apc.20.4 A besta e sua imagem
Apc.22.8-9 Um anjo (recusada) e Deus

 

Em Apocalipse 8.1 verificamos que houve silêncio no céu durante meia hora. Isso nos faz deduzir que existe um som de louvor e adoração constante no céu. João viu os 24 anciãos e os seres viventes que adoravam a Deus e ao Cordeiro. As impressionantes profecias do livro estão intercaladas com manifestações de adoração e cânticos. Em sua visão do céu, João viu um santuário e peças que nos lembram o tabernáculo e o templo do Velho Testamento. Existe no céu um lugar de culto utilizado pelas hostes celestiais. Ali também adoraremos a Deus e ao Cordeiro pelos séculos dos séculos.

 

1.19)    AMOR E JUÍZO

João, o discípulo amado, fez do amor um de seus principais temas, seja no seu evangelho ou em suas epístolas. Em Apocalipse, porém, o amor de Jesus e da igreja é mencionado apenas até o capítulo 3. Ao falar à igreja de Filadélfia, Jesus declara: “Eu te amo.” (Apc.3.9). Filadélfia significa “amor fraternal”.

A partir do capítulo 4, o tom da mensagem muda completamente. Não mais se menciona o amor de Deus mas apenas sua justiça. A santidade divina foi afrontada pelo pecado. Sua ira manifesta sua justiça através de guerras, pestes e catástrofes naturais.

Sabemos, porém, que o amor de Deus é eterno e sua manifestação ocorre através das bodas do Cordeiro e da recepção dos salvos na glória.

 

1.20)    VISÃO GERAL – uma hipótese de interpretação

 A experiência pessoal de João pode representar a experiência da igreja. No início do livro ele se encontra vivendo sua própria tribulação, preso e exilado. Então o Senhor Jesus vem até ele. No capítulo 4, João é arrebatado ao céu e passa a ver o derramamento da ira divina sobre a terra. Assim, a vinda de Cristo proveria socorro à igreja atribulada, levando-a consigo no arrebatamento. Em seguida, a terra ficaria submersa na Grande Tribulação. Tal interpretação é frágil em sua consistência pois o texto bíblico não diz que João possa estar representando a igreja. Os que defendem o paralelo na questão do arrebatamento de João, chamam a atenção para o fato de que a partir do capítulo 4 a igreja não é mais mencionada com este nome dentro do ciclo de visões do Apocalipse. Supostamente, teria sido encerrado seu período histórico terreno representado pelas 7 cartas. Os fatos apresentados em relação à igreja são bíblicos. A dificuldade está em localizá-los em determinados símbolos e estabelecer-lhes a ordem de ocorrência.

De acordo com esta hipótese, que é muito aceita e essencialmente futurista, a abertura do primeiro selo seria o início da Grande Tribulação (Ap.7.14), que incluiria os selos, as trombetas, as taças e todos os flagelos destinados aos ímpios e às forças do mal. No meio da cena encontram-se o dragão e as duas bestas tentando usurpar a glória que é devida ao Cordeiro. O dragão é Satanás. As duas bestas são o Anticristo e o Falso Profeta.

Durante a Grande Tribulação muitos seriam salvos e morreriam por sua fé. Enquanto isso, estaria acontecendo no céu as bodas do Cordeiro. Ao fim desse período, Cristo desceria do céu para aniquilar a besta e o falso profeta. O dragão seria preso por mil anos e nesse período Cristo reinaria com todos os santos sobre a terra. Estaria encerrada a Grande Tribulação e inaugurado o milênio, ao fim do qual, Satanás seria solto e tentaria novamente uma reação contra Cristo. Entretanto, seus agentes seriam consumidos antes de iniciarem a batalha.

Na seqüência ocorre o juízo final, que será o julgamento de todos os homens. Aqueles cujos nomes não se encontram no livro da vida serão lançados no lago de fogo, onde serão atormentados eternamente. Em seguida, João vê a Nova Jerusalém. Essa passagem é vista como uma descrição do estado eterno dos salvos. A cidade seria o lugar onde viveremos para sempre com Cristo.

Nas linhas acima definimos o que chamamos de posição pré tribulacionista-pré milenista.

 

1.21)    QUESTIONAMENTOS E OBSERVAÇÕES

Algumas dessas afirmações são amplamente aceitas. Tal arranjo escatológico pode parecer bastante apegado ao texto. Contudo, observamos que essa interpretação contém alguns pontos questionáveis e incertos. Outros parecem perfeitos.

A primeira dificuldade é entender o arrebatamento da igreja. Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, disse que o arrebatamento da igreja aconteceria quando a última trombeta fosse tocada. Disse também que a ressurreição dos santos acontecerá antes do arrebatamento. Encaixando isso no quadro apocalíptico, teríamos o arrebatamento da igreja junto com a ressurreição no capítulo 20. Sendo assim, a igreja teria participado ou, pelo menos, presenciado a Grande Tribulação. Em Mateus 24, Jesus menciona a Grande Tribulação (v.21) antes do fato que parece ser o arrebatamento (v.31). No meio da tribulação estarão os escolhidos (v.22). Estes podem indicar toda a igreja, mas alguns comentaristas dizem que são apenas os que forem salvos durante o período.

Outro problema ocorre em relação à Nova Jerusalém do capítulo 21. Considerando a hipótese de que o livro apresenta os fatos em ordem cronológica, então, ao chegarmos ao capítulo 21, já passamos pelo milênio e pelo juízo final. A Nova Jerusalém descreve então o estado eterno dos salvos. Contudo, o texto cita ainda nações que vivem fora da cidade santa, às quais se destinam as folhas da árvore da vida, afim de que sejam curadas. Esses detalhes parecem ameaçar o quadro escatológico descrito. Se os ímpios já estão no lago de fogo e os salvos estão na Nova Jerusalém, que nações são essas que o autor cita? Uma solução proposta é que o relato sobre a Nova Jerusalém se refira ao milênio e não ao estado eterno. Sendo assim, o texto não se encontraria em ordem cronológica.

Observamos que o Apocalipse não contém as expressões: “juízo final”, “Anticristo”, “milênio” ou “arrebatamento”. Então, de onde tiramos tal vocabulário? Das interpretações correntes, que, de tanto serem faladas, já se confundem com o próprio texto bíblico. Sabemos que a idéia de “milênio” e “juízo final” encontra-se em outras palavras no capítulo 20. O verbo “arrebatar” é encontrado em Ap.1.10; 4.2; 12.5,15, podendo ser substituído dependendo da versão utilizada. Trata-se dos arrebatamentos de João, do Filho Varão, e uma tentativa de Satanás no sentido de arrebatar a mulher. Outra situação semelhante, mas com verbo diferente, trata da subida das duas testemunhas ao céu. Não obstante, cremos no arrebatamento da igreja, o qual ser encontra de forma mais clara em I Tessalonicenses 4.17. Sobre o Anticristo falaremos de modo mais específico.

Todo esse questionamento, feito por comentaristas e teólogos, cria uma série de correntes de interpretação designadas como: milenistas, pré-milenistas, amilenistas, pré-tribulacionistas, pós-tribulacionistas, etc.

 

1.22)    O ANTICRISTO E O FALSO PROFETA

 O único autor bíblico que usa a palavra “anticristo” é João, mas não no Apocalipse. A citação é nas epístolas. Tal personagem escatológico é normalmente entendido como sendo o “iníquo” ou “homem do pecado” ou “filho da perdição” mencionado por Paulo (II Tss.2.3,8). Da mesma forma, a besta que sobe do mar, em Apc.13, é identificada pelos intérpretes como o Anticristo. Embora o texto não diga isso, o modo de agir da besta parece dize-lo. Sua ação é sobretudo anti-cristã. A besta quer para si a adoração que é devida ao Cordeiro. Então, encaixa-se no perfil traçado por Paulo.

Quem é o Anticristo? Alguns dizem que é um sistema político, mas a maioria dos estudiosos o vêem com sendo um homem. Isto é bastante coerente com as citadas palavras de Paulo. O texto de II Tessalonicenses não é essencialmente simbólico. Então, quando o apóstolo diz que é um homem, devemos entender literalmente. Afinal, aquela igreja já estava com muitos problemas de entendimento escatológico e Paulo precisava ser o mais claro possível.

Se o Anticristo é um homem, quem é ele? Não nos arriscaremos a responder tal pergunta, mas muitos já se arriscaram no decorrer da história. Sempre há quem queira “eleger” um Anticristo. Quando João escreveu, ele poderia estar se referindo a Nero ou a Domiciano, sem prejuízo do sentido escatológico da profecia. O culto ao imperador era uma prática oficial no Império Romano. Domiciano, aquele que provavelmente mandou João para Patmos, considerando-se um deus, mandou que imagens suas fossem espalhadas pelo Império. Os que se recusavam a adorá-las eram condenados à morte. Portanto, aquele imperador se encaixou no perfil do Anticristo.

O próprio João disse que muitos “anticristos” tinham se levantado (I João 2.18,22; 4.3; II João 7). Contudo, é bastante aceita a crença numa personificação do mal através de um Anticristo escatológico, aquele que estará no mundo no dia da segunda vinda de Cristo (II Tss.2.8). Hitler, alguns líderes religiosos e outros malfeitores da história foram apontados como sendo o Anticristo. Porém, Jesus não voltou em suas épocas e o “cargo” ficou para outra pessoa.

Conquanto não possamos identificar o Anticristo, sabemos contudo as linhas gerais do seu caráter e atuação. Através das interpretações mais aceitas, compreende-se que ele poderá ser um líder político de projeção mundial. O atual fenômeno da globalização seria ideal como preparação para um governo mundial. Os conflitos internacionais e a fome seriam solucionados por algum tempo mediante um plano econômico extraordinário. A besta que sobe do mar (Ap.13.2) receberá o poder do dragão (Satanás) e em seu nome dominará sobre toda tribo, povo, língua e nação (13.7). A interpretação desse texto é feita normalmente em relação com a profecia das setenta semanas de Daniel (9).

Em todas as épocas da história, o poder político teve alguma ligação com o poder religioso. Os déspotas eram avalizados pelo clero. Assim, o povo reconhecia o origem divina da autoridade absoluta e permanecia submisso. Da mesma forma, o Anticristo precisará do Falso profeta, que é a besta que sobe da terra. O Falso Profeta parece representar o poder religioso que fará parceria com o Anticristo, talvez numa manifestação ecumênica.

 

1.23)    BABILÔNIA X NOVA JERUSALÉM

 A Babilônia do Apocalipse parece ser a “sede de governo do Anticristo”. Nos dias de João, era uma referência a Roma (Ap.17.9,18), capital do Império, lugar onde se encontrava Domiciano, que se fazia passar por deus.

A Babilônia representa a independência humana em relação a Deus, e isso significa rebeldia. A origem de Babilônia foi Babel, lugar onde Ninrode, descendente de Cão, construiu sua cidade, tornou-se célebre, e projetou uma torre para alcançar o céu por suas próprias forças. Babilônia tem sua própria organização. Sua política (Ap.17.12) e seu comércio funcionam muito bem.

O comércio, prática tão comum na vida humana, toma aspectos malignos quando se comercializa o que não deveria ser vendido. Por exemplo, podemos mencionar o episódio quando Esaú vendeu seu direito de primogenitura. Assim, o comércio da grande Babilônia inclui uma abominável troca de valores. O ápice de tal negociação é expresso através do comércio de almas humanas (Apc.18.13). A mais clara forma de comércio de almas é através de uma falsa religião que se pratica apenas por motivos financeiros.

O que será a Grande Babilônia? Uma hipótese é que a cidade com esse nome, às margens do Rio Eufrates, hoje reduzida a ruínas, venha a ser reconstruída e volte a ter projeção mundial. Outra teoria associa a cidade a uma religião de alcance mundial.

Como religião mundial, alternativa plausível, a Grande Babilônia poderia ser vista como uma falsa igreja, em contraposição à Nova Jerusalém, que desce do céu. João viu as duas cidades e seus destinos. A Nova Jerusalém é a noiva. Babilônia é meretriz. A Grande Babilônia será destruída pelos juízos divinos, enquanto que a cidade santa será a morada de Deus e do Cordeiro.

A Nova Jerusalém muitas vezes é tomada de forma literal. É vista como uma cidade onde os salvos vão morar. Contudo, o texto é carregado de símbolos, levando a crer que própria cidade é apenas um símbolo da igreja triunfante. Veja o paralelo.

NOVA JERUSALÉM IGREJA
Chamada noiva e esposa do Cordeiro (Ap.19.7; 21.2,9; 22.17) Chamada noiva de Cristo (Ef.5.25-26).
Possui 12 fundamentos (Ap.21.14) Fundada sobre os 12 apóstolos (Ef.2.19-21)

 

1.24)    OS PARÊNTESES DO APOCALIPSE

O relato de João parece apresentar uma série de fatos que vão ocorrendo de modo consecutivo, embora exista uma hipótese de que as várias visões apocalípticas se refiram aos mesmos fatos históricos. Assim, as 7 trombetas, as 7 taças e os 7 selos seriam diferentes versões dos mesmos juízos. Uma base para esse tipo de visão está em Gênesis 41, onde “vacas” e “espigas” eram dois símbolos para um só fato.

De qualquer forma, o texto apresenta uma seqüência e esta parece interrompida em alguns pontos. João interrompe a narrativa sobre as catástrofes mundiais para falar sobre o anjo e o livrinho no capítulo 10, as duas testemunhas no capítulo 11, e a mulher e o dragão no capítulo 12.

– Comer o livrinho significa tomar conhecimento das profecias acerca dos últimos dias. O livro é doce na boca mas amargo no ventre. A mensagem apocalíptica fala de esperança e glória, mas também de grande tribulação.

 – As duas testemunhas são objeto de muita polêmica. Eis algumas interpretações sugeridas: “Moisés e Elias”, “Enoque e Elias “. Os fatos mencionados no capítulo 11 nos fazem lembrar as experiências de Moisés e Elias narradas no Velho Testamento. Contudo, tais testemunhas serão mortas. Os melhores candidatos então seriam pessoas que nunca experimentaram a morte. Logo, são mencionados Enoque e Elias.

Alguns eruditos se recusam a ver as duas testemunhas como dois homens. Daí surgem outras hipóteses. Seriam elas o Velho e o Novo Testamento? Tal sugestão não parece razoável. Há quem entenda que as testemunhas sejam apenas um símbolo da igreja em seu papel de evangelização.

– O dragão do capítulo 12 é Satanás. A mulher representa a nação de Israel. O Filho Varão é Cristo. O resto da semente parece representar a igreja.

As menções a Israel no Apocalipse constituem pontos de dúvida. Elas podem se referir à nação de Israel ou simplesmente à igreja, o “novo Israel”. Assim acontece com os 144 mil eleitos de Deus (Apc.7.4). São 12 mil de cada uma das tribos. Como sabemos, tais números têm valor simbólico. Portanto, não faz sentido pensarmos que 144 mil seja o número final dos salvos. Na seqüência do mesmo capítulo, João vê os remidos de toda tribo, língua, povo e nação, cujo número era incontável (Apc.7.9).

 

1.25)    CONCLUSÃO

O Apocalipse trata dos últimos lances da guerra histórica entre o bem e o mal. Satanás usa suas últimas armas durante o tempo que lhe resta. Contudo, a vitória divina é inevitável. Em meio a todo esse combate estão os homens, servindo a um dos lados.

A mensagem apocalíptica é um aviso divino para a humanidade. Não existe esperança para as forças demoníacas, mas para os homens sim. Ignorar o Apocalipse seria como rasgar uma notificação judicial sem tê-la lido. O prazo está se esgotando. Ainda que o mundo dure mais 1000 anos, é o nosso tempo de vida que determina nossa chance de deixar o mal e escolher o bem.

O arrependimento é também um tema em destaque no Apocalipse (2.5,16,21,22; 3.3,19; 9.20,21; 16.9,11). Deus poderia extinguir a raça humana em um instante. Porém, ele manda seus castigos aos poucos, esperando que os homens sintam a culpa pelo pecado e se arrependam. Devemos ouvir a sua voz enquanto temos tempo. Antes que o juízo venha, existe uma porta aberta para o Reino de Deus através do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

O Espírito e a noiva dizem: Vem. Quem ouve diga: Vem. Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap.22.17).

 

 

 

Parte II

•2.  LIVRO DE DANIEL

2.1)       DADOS SOBRE A VIDA DO AUTOR

Daniel foi deportado, enquanto adolescente, no ano de 605 a.c, para a Babilônia, onde viveu mais de sessenta anos. Possivelmente fosse de uma família da classe alta de Jerusalém. Isaías e Ezequias (Is. 39:7) haviam profetizado a deportação para a Babilônia dos descendentes da família real. Inicialmente, Daniel serviu como estagiário na corte de Nabucodonozor. Mais tarde, tornou-se conselheiro de reis estrangeiros.

A importância de Daniel como profeta foi confirmada por Jesus em Mt. 24:15. O nome Daniel, significa “Deus é meu Juiz”. Sua inabalável, consagração a Jeová e sua lealdade ao povo de Deus comprovaram fortemente essa verdade na vida de Daniel.

A educação de Daniel teve lugar durante três anos, e então tornou-se um dos cortesãos do palácio de Nabucodonosor, onde, pela ajuda divina, conseguiu interpretar um sonho do monarca, para inteira satisfação deste. Tudo em Daniel impressionava o rei, pelo que ele subiu no conceito real, tendo-lhe sido confiados dois cargos importantes, como governador da província da Babilônica e inspetor-chefe da casta sacerdotal (Dn. 2:48). Posteriormente, em um outro sonho que Daniel interpretou , ficou predito que o rei por causa da sua prepotência, deveria ser humilhado por meio da insanidade temporária, após o que, seu juízo ser-lhe-ia restaurado (Dn. 4). As qualidades pessoais de Daniel, como sua sabedoria, seu amor e sua lealdade, resplandecem por toda a narrativa.

Sob os sucessores indignos de Nabucodonosor, ao que parece, Daniel sofreu um período de obscuridade e olvido. Foi removido de suas elevadas posições, e parede ter começado a ocupar postos inferiores (Dn.8:27). Isso posto, ele só voltou à proeminência na época do rei Belsazar (Dn.5:7,8), que foi co-regente de seu pai, Nabonido. Belsazar, porém, foi morto quando os persas conquistaram a cidade. Porém, antes desse acontecimento, Daniel foi restaurado ao favor real, por haver conseguido decifrar o escrito misterioso na parede do salão do banquete (Dn. 5:2). Foi por essa altura dos acontecimentos que Daniel mostrou-se ativo no breve reinado de Dario, o medo, que alguns estudiosos pensam ]ter sido o mesmo Ciaxares II. Uma das questões envolvidas foram o preparativos para a possível volta de seu povo, do exílio para a Terra Santa. Sua grande ansiedade, em favor de seu povo, para que fossem perdoados de seus pecados e fossem restaurados à sua terra, provavelmente foi um dos fatores que o ajudou a vislumbrar o futuro, até o fim da nossa atual dispensação (Dn.9), o que significa que ele previu o curso inteiro  da futura história de Israel. Daniel continuou cumprindo seus deveres de estadista, mas sempre observando estritamente a sua fé religiosa, sem qualquer transigência. Há um hino cujo estribilho diz: “Ouses ser um Daniel; ouse ficar sozinho”. O caráter e os atos de Daniel despertaram ciúmes e invejas. Mediante manipulação política, Daniel terminou encerrado na cova dos leões; mas o anjo de deus controlou a situação, e Daniel foi livrado dos leões, adquirindo um novo prestigio,uma maior autoridade.

Daniel teve a satisfação de ver um remanescente de Israel voltar à Palestina (Dn 10:12). Todavia, sua carreira profética ainda não havia terminado, porquanto, no terceiro ano de Ciro, ele recebeu uma outra série de visões, informando-o acerca dos futuros sofrimentos de Israel, do período de sua redenção, através de Jesus Cristo, da ressurreição dos mortos e do fim da atual dispensação (dn.11 e 12). A partir desse ponto, as tradições se as fábulas se manifestam, havendo história referentes à Palestina e à Babilônia (Susã) embora não possamos confiar nesses relatos.

2.2)       DATA

Embora o cerco e a deportação de cativos para a Babilônia tenham durado  vários anos, os homens fortes e corajosos, os habilitados e os instruídos foram retirados de Jerusalém, logo no início da guerra (II Reis 24:14). A data do cativeiro de Daniel costumeiramente aceita é 605 a.c. Sua profecia abrange o espaço de tempo de sua vida.

2.3)       LOCALIZAÇÃO DO LIVRO DE DANIEL NA BÍBLIA

A tradução grega do Antigo Testamento conhecida como Septuaginta ou a Versão dos Setenta coloca o livro de Daniel entre os “profetas maiores”, em continuação a Ezequiel. Por sua vez, a Bíblia Hebraica o situa entre os Escritos (ketubim), isto é, no grupo de textos que constituem a terceira parte do cânon. Essa localização é muito significativa, dadas as importantes características que diferem Daniel dos demais Profetas (nebiim), e permitem considerá-lo, com toda propriedade, como um livro pertencente à chamada “literatura apocalíptica”.

2.4)       A MENSAGEM DE DANIEL

Este gênero apocalíptico se distingue tanto pelos seus traços formais como de conteúdo. As mensagens se apresentam revestidas de uma rica roupagem simbólica e são comunicadas em forma de visão para o autor literário, o vidente. Este recebe, às vezes, por causa da visão, um forte impacto emocional (cf. 7.28; 10.8,17), que pode levá-lo até à perturbação ou a sofrer algum tipo de transtorno ou doença física de importância (8.27; 10.9; cf. Ap 1.17). Assim Daniel, que vê “uma como semelhança dos filhos dos homens”, diz: “por causa da visão me sobrevieram dores, e não me ficou força alguma. Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim” (10.16-17).

Em termos gerais, as mensagens apocalípticas fazem referência à história humana como se se tratasse de um drama composto de dois atos. O primeiro deles se desenvolve no momento atual e no mundo presente; o segundo, dado numa perspectiva escatológica, revela o que haverá de acontecer no fim de todos os tempos.

Dessa maneira se expressa o livro de Daniel. Na etapa atual, momentânea e passageira, o povo de Deus se encontra sujeito a impérios humanos injustos, autores de normas opostas à vontade de Deus, a governos, que, para conseguirem alcançar os seus próprios objetivos, podem perseguir, torturar e até levar à morte os crentes que confessam abertamente a sua fé (cf. 7.25). Mas virá o dia em que este mundo irá passar e no qual, repentinamente, se manifestará o Reino de Deus. Nesse dia, “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão” (12.2), e deixarão de existir os impérios terrenos; assim, no seu lugar, “o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno” (7.27; cf. Is 26.19; Ez 37.1-14).

 

2.5)       O LIVRO

O livro de Daniel (Dn) é formado por duas partes: uma, pelos caps. 1-6, e a outra, pelos caps. 7-12. A primeira parte é essencialmente narrativa e tem um propósito didático, orientado a demonstrar que a sabedoria e o poder de Deus estão infinitamente acima de toda possibilidade e compreensão humanas. O protagonista dos relatos é Daniel, um dos jovens judeus levados para a Babilônia em cumprimento às ordens expressamente ditadas pelo rei Nabucodonosor sobre os “filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres” (1.3). Uma vez na Babilônia, Daniel e os seus três companheiros, Hananias, Misael e Azarias (respectivamente chamados por Nabucodonosor de Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego), são educados de maneira especial, com vistas a uma futura prestação de serviço na corte do rei (1.4-7). Daniel aprende o idioma e a literatura do Império Neobabilônico (isso significa aqui o termo “caldeus”), e logo se destaca pela sua sabedoria extraordinária (1.20) e pela firmeza das suas convicções. Ele e os seus amigos, fiéis ao Deus de Israel, se negam a aceitar qualquer tipo de favor que os leve a quebrar a menor das prescrições rituais do Judaísmo, particularmente as relativas à alimentação; e a recompensa que recebem do Senhor é um aspecto melhor do que o de “todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei” (1.8-16). Essa estrita fidelidade aos seus princípios religiosos os leva, contudo, a enfrentar riscos de morte, dos quais são livrados pela mão do Senhor. Quanto à sabedoria de Daniel, esta se evidencia quando, ante o fracasso dos “magos, encantadores e feiticeiros” do reino (2.2,10), Deus lhe concede que descubra e interprete os sonhos de Nabucodonosor (caps. 2 e 4) e também que, na presença de outro rei, Belsazar, decifre o escrito feito na parede por uma mão misteriosa (cap. 5).

A segunda parte (caps. 7-12) contém uma série de visões simbólicas que ampliam e desenvolvem certas noções já esboçadas na primeira seção, mas agora a linguagem da exposição é decididamente apocalíptica.

A primeira visão, de quatro animais monstruosos que sobem do mar, é como uma síntese dos acontecimentos futuros. Trata-se de “quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros” (7.3), representando os grandes impérios que sucessivamente dominam o mundo, que devoram e arrasam a terra (7.23). Mas o Senhor, posteriormente, os deixará sem poder e destruirá por completo (7.26). A conseqüência dessa intervenção divina será a mudança radical da situação do mundo presente e da condição humana: a partir desse momento, nada poderá se opor à sabedoria universal e definitiva de Deus. Pois, se em nosso mundo de hoje a maldade e a injustiça se mostram, freqüentemente, vitoriosas, no dia assinalado e no momento preciso, Deus se revelará como Senhor da história e soberano do Reino eterno. Então, todo o mundo reconhecerá a sua vontade, e o corruptível se revestirá de incorrupção (cf. 1Co 15.53), e “os que a muitos conduzirem à justiça” resplandecerão “como as estrelas, sempre e eternamente” (12.3).

É evidente que o livro de Daniel foi redigido com o objetivo imediato de trazer alento ao povo em meio a todas as desventuras e perseguições sofridas. Não obstante, de acordo com o sentido geral da literatura apocalíptica, pode-se afirmar que a mensagem de esperança contidas no livro e também os ensinamentos que se tiram dele são totalmente aplicáveis a qualquer momento ou a qualquer circunstância em que se encontre o povo de Deus.

 

2.6)       COMPOSIÇÃO DO LIVRO

Até o momento atual não se pôde estabelecer com certeza a data de composição deste livro. As opiniões dos especialistas estão divididas a esse respeito: enquanto uns o datam nos anos do exílio babilônico, outros o atribuem a uma época bastante posterior.

As repetidas referências à profanação do templo de Jerusalém (9.27; 11.30-35) podem ser relacionadas com a perseguição promovida por Antíoco IV Epífanes.

 

2.7)       ESBOÇO:

1. Histórias de Daniel e dos seus companheiros (1.1-6.28)

2. Visões apocalípticas (7.1-12.13)

a. Os quatro animais (7.1-28)

b. O carneiro e o bode (8.1-9.27)

c. O mensageiro do céu (10.1-11.45)

d. O tempo do fim (12.1-13)

 

 

2.8)       COMENTÁRIOS DO LIVRO

•2.8.1.1)  Capitulo 1

As tribos que restaram, Judá e Benjamim, foram levadas cativas à Babilônia pelo Rei Nabucodonosor. Judá era a tribo Real; e os reis também foram levados. Nosso capítulo fala de Daniel, um dos que pertenciam à família real. Esses quatro jovens deviam ter cerca de 17 anos de idade.

Dn 1:3-4 O rei decide usar esses Hebreus cativos para treiná-los, junto a um grupo de seu próprio povo, com o que havia de melhor em ensino. O versículo 4 nos dá uma lista de 6 requisitos que deviam ter. Que oportunidade para esses jovens.

Dn 1:5 O rei planeja o que eles deviam comer… O melhor… O cardápio do próprio rei, e, sem dúvida, os melhores vinhos disponíveis.

Dn 1:7 Para ajudar esses Hebreus cativos a esquecer seu passado, todos recebem nomes estrangeiros. Os novos nomes tinham a finalidade de ajuda-los a assimilar a nova cultura. O rei babilônico tenta transferir a fidelidade destes jovens ao Deus da Babilônia.

Dn 1:8 Mas Daniel tinha um segredo em seu coração… Ele pertencia a DEUS. Ele não comeria a carne que provavelmente teria sido oferecida a ídolos. Ele não iria se contaminar. Além disso, muitas das iguarias do rei eram proibidas pela lei judaica(ver Lv. 11). Vemos aqui uma referência a doutrina da santidade.

Dn 1:10-14 O oficial teme alterar os planos do rei; ele morreria se o fizesse. Daniel fala algo importante; não teria sido justo lançar a responsabilidade sobre o homem que estaria servindo a comida. Daniel sugere que o homem traga também alguns cereais, e veja o que acontece por dez dias. Uma sugestão muito sábia.

Dn 1:15-16 Os quatro jovens tinham suas faces mais coradas e estavam mais gordos do que os outros.

Dn 1:17 O segredo é revelado – Deus honrava aqueles que O honravam!
Dn 1:19 Eles não só estavam melhores fisicamente, mas também em inteligência estavam dez vezes mais inteligentes!

Uma das aplicações teológicas mais importantes deste texto relaciona-se com a doutrina da soberania de Deus.  Aqui, vemos Deus agir soberanamente sobre Daniel e seus amigos, capacitando-os fisicamente e intelectualmente com toda sorte de conhecimentos.

•2.8.1.2)  Capitulo 2

Os sonhos eram considerados mensagens dos deuses, e esperava-se que os astrólogos os interpretassem. Normalmente, os astrólogos os interpretavam desde que lhes fosse declarado o sonho. Mas, nesta ocasião Nabucodonosor exige dos adivinhos o conhecimento tanto do sonho como de sua interpretação. Essa atitude incomum de rei, tornou-se para eles um grande desafio. Os astrólogos disseram ao rei que não havia ninguém sobre a terra capaz de resolver o problema proposto pelo rei (v.11, 12). 

Vemos nesta situação Deus preparando o terreno para Daniel ser destacado e exaltado. Deus aqui, prepara uma situação enigmática de solução impossível para os homens, mas revela a solução a Daniel, de maneira que o nome do Senhor é reverenciado em todo o reino.

Aqui vemos, mais uma vez, a Soberania de Deus, atuando sobre o mundo espiritual. A intenção de Deus, neste capítulo, foi demonstrar a sua soberania no campo espiritual e místico. O mundo místico era importante na cultura babilônica, e aqui Deus neste panorama Daniel e exaltado por Deus.

Examinemos o conteúdo do sonho do rei. O rei vê uma estatua com o aspecto seguinte:

 

Resumo da estátua: Ouro: Babilônia 608-538 a.c; Prata: Medo-Pérsia 538-331 a.c; Bronze: Grécia 331-168 a.c; Ferro: Império Romano 168-476 d.c. Pés:por fim, entre 351 e 476 temos a invasão do Império pelos bárbaros e sua consequente divisão em 10 Reinos.

Convêm aqui, lembrar que é importante fazer uma comparação entre essa visão e aquela que está no capítulo 7, dos quatro animais. Faremos isso adiante.

•2.8.1.3)  Capitulo 3

Na cultura religiosa babilônica, as estatuas eram frequentemente adoradas. Nabucodonosor esperava usar esta imagem enorme, com 30 metros de altura por 3 metros de largura, como estratégia, para unir a nação e solidificar o seu poder, através da adoração centralizada.

Neste capítulo aprendemos algumas coisas importantes:

Até que ponto, um servo de Deus é capaz de ser fiel ao Senho? Aqui descobrimos que sadraque, mesaque e Abede-Nego, não tinham limites no serviço a Deus. Vemos aqui, uma relação com doutrina da mordomia.

Outra vez, vemos o conceito da Soberania de Deus, atuando aqui sobre o poder religioso predominante. Deus demonstra sua soberania sobre as crenças religiosas idólatras da Babilônia.

Outra doutrina encontrada aqui é a da providência de Deus. Deus permite a tribulação dos seus santos, mas providencia um meio para livrá-los do mal.

•2.8.1.4)  Capitulo 4

A doutrina da Soberania de Deus, implica em concebermos que Ele esta acima de todas as autoridades. O poder dos lideres religiosos, dos governos, negócios, e religiões, é limitado.

O tema central deste capitulo, refere-se a uma visão de Nabucodonosor. Embora muitos o achassem um rei poderoso (e até mesmo divino), Deus mostrou que ele era um homem comum. O rei ficaria insano e tornar-se-ia como um animal por um período de tempo (7 tempos). Deus humilhou o rei para deixar evidente que o Deus todo poderoso, e não Nabucodonosor era Senhor das nações.

•2.8.1.5)  Capítulo 5

Os arqueólogos descobriram recentemente o nome de Belsazar em vários documentos. Ele permanecia na Capital para administrar os afazeres do reino enquanto seu pai, Nabonido, tentava recuperar as rotas comerciais que haviam sido tomadas por Ciro e os persas. Belsazar era encarregado da cidade da Babilônia quando esta foi tomada.

Belzasar era co-regente com seu pai Nabonido. Portanto, o segundo homem do reino. Àquele que lesse a escritura na parede seria dado a terceira posição de mais importância no reino (5:31).

A escritura da parede continha palavras em Aramaico. Esta língua era conhecida pelos babilônicos. O que se constata aqui é a dificuldade que os sábios e adivinhos tiveram em decifrar o seu significado profético (5:8).

Belsazar foi julgado por Deus, ao usar indevidamente os utensílios sagrados do templo. A resposta de Deus a Belsazar é uma advertência de que tudo quanto Deus santificou não deve ser profanado. Portanto, considerar comuns coisas santas, é sempre perigoso. Os culpados serão pesados na balança e achados em falta (v.27).

•2.8.1.6)  Capitulo 6

Um novo Império foi formado, o Medo-Persa, com Dario encabeçando-o, mas tendo a Ciro como rei (1:21).

Dn 6:1-9 Daniel recebe um cargo elevado, que causa inveja entre os líderes nativos. Eles só conseguem encontrar falta nele na “lei de seu Deus” – vers. 5. Assim, eles pedem ao rei que assine uma lei que proíba qualquer um de orar a qualquer exceto a Dario pelo período de 30 dias. Se alguém o fizesse, seria lançado na cova do leão. Portanto, os inimigos de Daniel tentam atingi-lo no campo religioso.

Dn 6:10-17 Daniel permaneceu sozinho. Sabia a respeito da lei que proibia fazer petição a qualquer deus ou homem senão o rei. Na Babilônia, o que o rei dizia era lei. No império Medo-persa, quando se constituía uma lei, nem o próprio rei podia revogá-la. Daniel tinha uma vida de devoção disciplinada. Nem as ameaças eram capazes de inibi-lo. No trecho final deste capitulo, vemos a terrível retribuição contra aqueles que maquinam o mal contra Daniel.

A doutrina da soberania, mais uma vez surge, neste cenário, revelando, que Deus protege aos que são seus.

•2.8.1.7)  Capitulo 7

Os acontecimentos aqui preditos são paralelos aos que haviam sido mostrados, anos antes o Rei Nabucodonosor, de Babilônia mediante uma estátua simbólica em sonho. na segunda representação desses eventos, através de Leviatãs ou animais simbólicos, foram apresentados mais detalhes relativos a esses reinos e a segunda vinda de Cristo.

O profeta ficou espantado diante do que vira e pedindo explicações, lhe foi dito que os 4 grandes animais simbolizavam 4 Reinos poderosos que se levantariam sucessivamente. Daniel 7:17. Na Bíblia, animais simbolizam Reinos. Mar ou águas representam povos ( apocalipse 17:15). Ventos são guerras que provocam mudanças políticas ( Jeremias 4;11, 25:32 e Habacuque 1:11). O quadro apresentado a Daniel mostra que os povos seriam agitados pelas guerras e que 4 reinos alcançariam o domínio mundial. O interessante é que o versículo 2 diz que as guerras agitavam o mar grande, que incrivelmente é o nome antigo do mar mediterrâneo. Assim, nesta àrea geográfica surgiria tais reinos.

Quanto a identificação dos reinos, o leão simboliza o império babilônico. Eram muito comuns leões alados com rostos humanos nas artes dos babilônicos e eram colocados na entrada de importantes edifícios públicos.  A identidade dos outros animais corresponde aos reinos que subsequentemente seguiram ao babilônico.

TABELA COMPARATIVA ENTRE CAPITULOS 2 E 7 DE DANIEL
 
Interpretação básica
 Daniel capitulo 2  Daniel capitulo 7 
 
1- Babilônia
(608-538 AC)
 
Cabeça de ouro
(versos 32,37,38)
 
Leão (versos 4,7)
Duas asas e mente de homem
 
2- Medo-Pérsia
(538-331 AC)
 
Peito e braços de prata
 (versos 32,39)
 
Urso (versos 5,17)
3 costelas na boca, firmou-se em um lado
 
3- Grécia-Macedônia
(331-168 AC)
 
Ventre e quadris de cobre
 (versos 32,39)
 
Leopardo (versos 6,17)
4 asas, 4 cabeças
 
4- Império Romano
(168-476 DC)
 
Pernas de ferro
 (versos 33,40).
 Animal terrível (versos 7,17,19,23)
 4.1-     Reinos subseqüentes
(351-476)
 Pés de barro e ferro (versos 33,41-43):
 reinos fracos e fortes, tentariam se unir mediante casamentos.
 
10 Chifres[1] do quarto animal (versos 7,8,20,24)
3 Chifres caem[2].
 


[1] 1-Germanos= Alemanha, 2-Francos= França, 3- Burgundos= Suíça, 4- Suevos= Portugal, 5- Anglo-saxões= Inglaterra, 6- Lombardos= Itália, 7-Visigodos= Espanha.
[2]  8- Os Hérulos,  9- Os Vândalos e os 10- Ostrogodos não se tornaram nações européias.
 5- Reino de Deus
 
 
Pedra (versos 34,35,44,45)
Ferro, cobre, prata e ouro destruídos.
“Toda a Terra, não passará a outro povo”.
 
Filho do homem (versos 8-14,18,26-28)
Animais e chifre pequeno destruídos
Reino dado aos santos
Reino eterno, jamais será destruído.

 

Quatro monarquias Universais

O Primeiro Império

4 O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. (Daniel 7:4).

Os Babilônios mantiveram o domínio de todo o mar mediterrãneo dese 608 AC até aproximadamente 538 AC quando foram vencidos pelos Medos-Pérsas.

O Segundo Império

5 Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.

O segundo reino, a Média e a Pérsia são representados por um urso. O urso é mais fraco e lento que o Leão, porém mais voraz. Assim, também os exércitos Medo- Persa se bem que mais fracos e lentos nas conquistas que os babilônios, foram mais sanguinários que estes e de fato devoraram muita carne. As três costelas que o Urso tinha entre os dentes se referem as suas presas principais: Babilônia, Lídia e Egito.

O Terceiro Império

6 Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.

O terceiro Reino, o Império Grego é simbolizado por um Leopardo com 4 cabeças e 4 asas. Em 331 AC, Alexander magno, soberano da Grécia arrebatou o domínio dos Medo Pérsas. O leopardo já é por si, mais ágil, e as 4 asas lhe dão ainda maior agilidade. Temos, pois aqui um símbolo adequado das espantosas conquistas gregas. Alexandre, percorreu com seu exército em menos de 8 meses, uns 8.200 KM. Que incomparável marcha triunfal!!! História Universal Tomo I P. 216. Após a morte de Alexandre, o Reino foi dividido entre os 4 de seus principais generais: Cassandro, Seleuco, Lísimaco e Ptolomeu em cumprimento das 4 cabeças simbólicas do animal.

Essa sucessão de reinos também foi mostrada a Daniel no capítulo 8 de seu livro na qual um carneiro com 2 pontas representa a Média e a Pérsia e um Bode representa a Grécia. O Bode vence o pobre Carneiro pisando o com os pés!

Veja abaixo a confirmação do anjo Gabriel:

20 Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia, 21 Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei;

Na divisão do Grandioso Reino de Alexandre, Cassandro ficou com a Macedônia, Ptolomeu com o Egito , a Síria e a Palestina, Seleuco com o extremo oriente até a Índia, e Lísimco obteve a Trácia e a Ásia menor ou a atual Turquia. O Império Grego, enfraquecido por causa da divisão se tornaria presa fácil para o Reino que veria o nascimento do messias, O Império Romano.

 

O Quarto Império

7 Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. 23 Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços…

Este animal  representa Roma. A expressão “..tinha dez chifres…” simboliza dez reis ou reinos associados com o império romano (v.24). Alguns interpretes sugerem que numa segunda fase futura, um império romano reavivado, deve ser esperado, do qual procederão dez chifres, ou todos ao mesmo tempo, ou um depois do outro. É importante comparar esta passagem com: Apocalipse 13:1-10

Daniel 7:8 diz: “Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência”.

Este pequeno chifre, vem dos 10 chifres do império romano. Este pequeno chifre arranca três dos dez, simbolizando outra face do quarto reino. Muitos interpretes tem sugerido que este pequeno chifre seja uma das primeiras referências bíblicas ao anticristo.

É também neste capítulo que vemos uma referencia a Deus, ao juízo final,  e a Cristo estabelecido no reino eterno com a Igreja nos v9-14). Aqui neste texto vemos, o julgamento deste pequeno chifre (o anticristo) no v11.

•2.8.1.8)  Capitulo 8

O carneiro desta profecia é o império medo-persa. (v.20)

O bode de que trata a profecia é a Grécia (vv. 21-22). Os 4 chifres notáveis do império grego foram os 4 generais que sucederam Alexandre, o Grande: Ptolomeu, Cassandro, Lisímaco e Selêuco.

O bode desta visão tem uma notável ponta, que é quebrada e dá origem a quatro pontas, das origina-se uma pequena ponta ou chifre. Na versão Almeida Revista e Atualizada (uma das mais utilizadas no Brasil), o v. 9 começa com a expressão: “de um dos chifres”. Porém, o original hebraico traz o seguinte: “de um deles”. Esta tradução é confirmada pela respeitada King James Version , em inglês. Então está ponta “…mui pequena….” é uma referência a quem?

Antíoco Epifânio IV. Esta é uma das interpretações adotadas por muitos interpretes. Mas, limitar a interpretação deste texto apenas à Antíoco, é adotar um ponto de vista muito limitado. É mais coerente, vermos esta profecia com cumprimento múltiplo. Portanto, ela tanto se cumpre e Antíoco como prefigura a vinda futura do Anticristo.

 

É interessante o que diz o texto apócrifo 4 de I macabeus capitulo 1, acerca de Antíoco Epifânio IV. Vejamos:

1. Ora, aconteceu que, já senhor da Grécia, Alexandre, filho de Filipe da Macedônia, oriundo da terra de Cetim, derrotou também Dario, rei dos persas e dos medos e reinou em seu lugar. 2. Empreendeu inúmeras guerras, apoderou-se de muitas cidades e matou muitos reis. 3. Avançou até os confins da terra e apoderou-se das riquezas de vários povos, e diante dele silenciou a terra. Tornando-se altivo, seu coração ensoberbeceu-se.

4. Reuniu um imenso exército, 5. impôs seu poderio aos países, às nações e reis, e todos se tornaram seus tributários. 6. Enfim, adoeceu e viu que a morte se aproximava. 7. Convocou então os mais considerados dentre os seus cortesãos, companheiros desde sua juventude, e, ainda em vida, repartiu entre eles o império. 8. Alexandre havia reinado doze anos ao morrer. 9. Seus familiares receberam cada qual seu próprio reino. 10. Puseram todos o diadema depois de sua morte, e, após eles, seus filhos durante muitos anos; e males em quantidade multiplicaram-se sobre a terra.

11. Desses reis originou-se uma raiz de pecado: Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que havia estado em Roma, como refém, e que reinou no ano cento e trinta e sete do reino dos gregos. 12. Nessa época saíram também de Israel uns filhos perversos que seduziram a muitos outros, dizendo: Vamos e façamos alianças com os povos que nos cercam, porque, desde que nós nos separamos deles, caímos em infortúnios sem conta. 13. Semelhante linguagem pareceu-lhes boa, 14. e houve entre o povo quem se apressasse a ir ter com o rei, o qual concedeu a licença de adotarem os costumes pagãos. 15. Edificaram em Jerusalém um ginásio como os gentios, dissimularam os sinais da circuncisão, afastaram-se da aliança com Deus, para se unirem aos estrangeiros e venderam-se ao pecado.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

20. Após ter derrotado o Egito, pelo ano cento e quarenta e três, regressou Antíoco e atacou Israel, subindo a Jerusalém com um forte exército. 21. Penetrou cheio de orgulho no santuário, tomou o altar de ouro, o candelabro das luzes com todos os seus pertences, 22. a mesa da proposição, os vasos, as alfaias, os turíbulos de ouro, o véu, as coroas, os ornamentos de ouro da fachada, e arrancou as embutiduras.  23. Tomou a prata, o ouro, os vasos preciosos e os tesouros ocultos que encontrou.  24. Arrebatando tudo consigo, regressou à sua terra, após massacrar muitos judeus e pronunciar palavras injuriosas  25. Foi isso um motivo de desolação em extremo para todo o Israel.

26. Príncipes e anciãos gemeram, jovens e moças perderam sua alegria e a beleza das mulheres empanou-se. 27. O recém-casado lamentava-se, e a esposa chorava no leito nupcial. 28. A própria terra tremia por todos os seus habitantes e a casa de Jacó cobriu-se de vergonha.

29. Dois anos após, Antíoco enviou um oficial a cobrar o tributo nas cidades de Judá. Chegou ele a Jerusalém com uma numerosa tropa; 30. dirigiu-se aos habitantes com palavras pacíficas, mas astuciosas, nas quais acreditaram; em seguida lançou-se de improviso sobre a cidade, pilhou-a seriamente e matou muita gente. 31. Saqueou-a, incendiou-a, destruiu as casas e os muros em derredor. 32. Seus soldados conduziram ao cativeiro as mulheres e as crianças e apoderaram-se dos rebanhos. 33. Cercaram a Cidade de Davi com uma grande e sólida muralha, com possantes torres, tornando-se assim ela sua fortaleza. 34. Instalaram ali uma guarnição brutal de gente sem leis, fortificaram-se aí; 35. e ajuntaram armas e provisões. Reunindo todos os espólios do saque de Jerusalém, ali os acumularam. Constituíram desse modo uma grande ameaça. 36. Serviram de cilada para o templo, e um inimigo constantemente incitado contra o povo de Israel, 37. derramando sangue inocente ao redor do templo e profanando o santuário. 38. Por causa deles, os habitantes de Jerusalém fugiram, e só ficaram lá os estrangeiros. Jerusalém tornou-se estranha a seus próprios filhos e estes a abandonaram. 39. Seu templo ficou desolado como um deserto, seus dias de festa se transformaram em dias de luto, seus sábados, em dias de vergonha, e sua glória em desonra. 40. Quanto fora ela honrada, agora foi desprezada, e sua exaltação converteu-se em tormento. 41. Então o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único povo e 42. que abandonassem suas leis particulares. Todos os gentios se conformaram com essa ordem do rei, e 43. muitos de Israel adotaram a sua religião, sacrificando aos ídolos e violando o sábado. 44. Por intermédio de mensageiros, o rei enviou, a Jerusalém e às cidades de Judá, cartas prescrevendo que aceitassem os costumes dos outros povos da terra, 45. suspendessem os holocaustos, os sacrifícios e as libações no templo, violassem os sábados e as festas,  46. profanassem o santuário e os santos, 47. erigissem altares, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, 48. deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira 49. a obrigarem-nos a esquecer a lei e a transgredir as prescrições.

50. Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei seria morto. 51. Foi nesse teor que o rei escreveu a todo o seu reino; nomeou comissários para vigiarem o cumprimento de sua vontade pelo povo e coagirem as cidades de Judá, uma por uma, a sacrificar. 52. Houve muitos dentre o povo que colaboraram com eles e abandonaram a lei. Fizeram muito mal no país, e 53. constrangeram os israelitas a se refugiarem em asilos e refúgios ocultos.

54. No dia quinze do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e cinco, edificaram a abominação da desolação por sobre o altar e construíram altares em todas as cidades circunvizinhas de Judá. 55. Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas, 56. rasgavam e queimavam todos os livros da lei que achavam; 57. em toda parte, todo aquele em poder do qual se achava um livro do testamento, ou todo aquele que mostrasse gosto pela lei, morreria por ordem do rei. 58. Com esse poder que tinham, tratavam assim, cada mês, os judeus que eles encontravam nas cidades 59. e, no dia vinte e cinco do mês, sacrificavam no altar, que sobressaía ao altar do templo. 60. As mulheres, que levavam seus filhos a circuncidar, eram mortas conforme a ordem do rei, 61. com os filhos suspensos aos seus pescoços. Massacravam-se também seus próximos e os que tinham feito a circuncisão. 62. Numerosos foram os israelitas que tomaram a firme resolução de não comer nada que fosse impuro, e preferiram a morte antes que se manchar com alimentos; 63. não quiseram violar a santa lei e foram trucidados. 64. Caiu assim sobre Israel uma imensa cólera.

É importante constatarmos no texto apócrifo acima, que as características de Antíoco Epifânio IV, assemelham-se muito a descrição da figura do Anticristo que atuará durante a grande tribulação.

•2.8.1.9)  Capitulo 9

No capitulo 9 de Daniel está uma das mais importantes profecias da Bíblia: a profecia das 70 semanas de Daniel.

Para se fazer um estudo completo do Apocalipse, grande tribulação, ou qualquer outro assunto que fale sobre o tempo do fim Daniel 8:17 e necessário primeiro estudar as setentas semanas de Daniel, pois esta e uma profecia indispensável a Escatologia.

PARA QUEM ESTA DETERMINADO AS SETENTA SEMANAS

Em Daniel 9:24 diz: Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo ( ISRAEL ), e sobre a tua santa cidade. Esta parte das escrituras afirma que este período de tempo irá se cumprir sobre o povo Judeu ( O teu povo ) e sobre a cidade de Jerusalém ( a tua santa cidade ). Portanto esta profecia é destinada toda ela para Israel, sendo assim lembramos o leitor ” NÃO SE DEVE CONFUNDIR ISRAEL COM IGREJA “

CONDIÇÕES PARA A PROFECIA SE CUMPRIR

Esta profecia de Daniel 9:24-27, esta determinando condições para seu fiel cumprimento:

As setentas semanas estão determinadas para o povo Judeu.

A Judeus necessitam estar em Jerusalém ( cidade Santa )

SETENTA SEMANAS DE ANOS

Como todos sabem uma semana é constituída de sete dias, mas estas semanas que a profecia de Daniel se refere ao invés de DIAS, são ANOS, ou seja para cada dia da semana se conta um ano, que desta forma para cada semana teremos sete anos no lugar de sete dias, formando assim uma semana de anos. No velho testamento era comum o uso de semana de anos Levítico 25:8, Ezequiel 4:6, Gênesis 29:20 a 28. Setenta semanas de dias comuns são iguais a 490 dias, e de acordo com o Vers.25 deste capitulo, as escrituras demonstram que desde a ordem para restaurar e edificar Jerusalém ate o Messias ( Cristo ) teria 69 semanas, o que é relativo a 483 dias de semanas comuns, ou seja, semanas de 7 dias, e isto não aconteceu, pois da ordem para edificar Jerusalém ate Cristo, teve uma duração maior de 400 anos, portanto é impossível que estas semanas sejam de dias comuns, o que deixa claro que esta profecia se refere a SEMANAS DE ANOS.

As 70 semanas tiveram seu inicio quando saiu a ordem para restaurar e edificar Jerusalém ( Neemias 2 ), o que aconteceu aproximadamente no ano 445 a.C. ; Se contarmos a partir desta data até a morte de Cristo na Cruz, aconteceram aproximadamente 483 anos, o que nos leva a concluir com certeza que esta profecia se trata de semanas de anos, e nunca de semanas de dias.

AS TRES DIVISÕES DAS SETENTAS SEMANAS

De acordo com Daniel 9:24-27, as setentas semanas se dividem em três partes:

07 Semanas Daniel 9:25 49 anos
62 Semanas Daniel 9:25 434 anos
01 Semana Daniel 9:27 7 anos

A PRIMEIRA DIVISÃO SETE SEMANAS 49 ANOS

De acordo com Daniel 9:25, Jerusalém seria edificada e restaurada da destruição que o império Babilônico causou a santa cidade ( Daniel 1:1,II Reis 24:1 ), esta ordem foi dada pelo Rei Ataxerxes a Neemias aproximadamente no ano 445 a.C., e nesta mesma data iniciou-se a contagem da primeira divisão, e terminou aproximadamente no ano 397 a.C., o que é relativo a 49 anos ( 7 semanas de anos ), onde no final deste período a santa cidade estava totalmente reconstruída .Daniel 9:25. Esta palavra se cumpriu literalmente no período previsto.

A SEGUNDA DIVISÃO SESSENTA E DUAS SEMANAS 434 ANOS

A segunda divisão tem inicio aproximadamente no ano 397 a.C. e vai ate os dias da pregação dos apóstolos de Cristo ( Messias ), neste período o Cristo iria nascer, morrer, e logo após Jerusalém seria invadida e destruída pelo Império Romano, o que de fato acorreu de forma literal em todos os sentidos. Daniel 9:25-26.

A TERCEIRA DIVISÃO UMA SEMANA 7 ANOS

A terceira divisão, a última das setentas semanas de Daniel é ainda futura, ainda não se cumpriu, devido o povo Judeu não estar na cidade santa ( Daniel 9:24 ), e como já foi escrito, esta profecia irá se cumprir sobre o povo Judeu, e este povo precisa estar na cidade santa, e como mostramos na segunda divisão, os Romanos invadiram Jerusalém aproximadamente no ano 70 d.C, e expulsaram os Judeus da santa cidade, e os mesmos foram dispersos para muitas nações ( Ezeq. 36:19-20, S. Lucas 21:24 ), e nesta data esta profecia teve de ser interrompida na sua 69º ordem; semana, pois o povo Israelita não se encontrava na cidade de Jerusalém, e para que esta profecia se cumpra é necessário que o povo do Profeta Daniel ( Judeus ) estejam em Jerusalém. Esta última semana não pode ter se cumprido em hipótese alguma, pois nesta última semana ( 7 anos ) os Judeus iriam fazer um acordo com o assolador ( anticristo ), e este assolador seria destruído, porém isto ainda não aconteceu, Israel ainda não fez este acordo com o inferno ( Isaías 28:15-18 ), e muito menos o anticristo foi destruído, sendo assim posso afirmar que esta última semana de Daniel ainda não se cumpriu, esta profecia permanece interrompida.

Neste período o anticristo, fará um concerto com Israel por sete anos ( uma semana) e na metade da semana ( três anos e meio ) irá quebrar o concerto com os Judeus.

A 70º Semana de Daniel também é chamada de grande tribulação ( São Mateus 24:21 ) que terá a duração de sete anos, dividida sem duas partes de três anos e meio ).

Com relação ao fato da igreja ser arrebatada ou não antes da grande tribulação temos dois pontos de vista principais: pré-tribulacionismo, pós-tribulacionismo.

•2.8.1.10)           Capítulos 10 à12

Esta última visão dos caps. 10, 11 e 12, dada a Daniel, na qual ele obteve maior compreensão da grande batalha espiritual travada entre o povo de Deus e os que querem destruí-lo. Também há informações detalhadas a respeito do futuro, especialmente relacionadas às lutas entre os ptolomeus (reis do sul) e os seleucidas (reis do norte). No capítulo 10 um anjo anônimo fala para Daniel acerca do destino de Israel. No Apocalipse as revelações estão associadas ao destino da igreja.

É nestes capítulos que vemos a previsão do desenrolar de guerras históricas entre os reis que sucederam a Alexandre, o grande. Em seu tempo, Alexandre conquistou o império Medo-Persa. Ele conquistou a maior parte das terras do mediterrâneo e do oriente médio. Após sua morte, o império foi dividido em quatro partes. Os ptolomeus assumiram o controle da região sul da palestina, e os seleucidas da região norte.  Os vs 2-20 do capitulo 11, mostram o conflito entre estes reinos no controle da palestina, em 300-200 ac. Os vs. 21-35 descrevem a perseguição de Israel por Antíoco Epifânio IV e nos vs. 36-45, a profecia muda para o final dos tempos. Antioco IV desaparece de vista e o Anticristo torna-se o centro da atenção.

Os pontos de destaque nestes capítulos podem ser os seguintes:

A aparição de um homem que tem semelhanças com Cristo. Cap. 10:5,6.

A luta histórica de Antíoco Epifânio IV, um dos tipos do Anticristo. Cap. 11:21-35.

As referencias futuras ao Anticristo, no Cap. 11: 36-45.

A referência ao livro da vida e a futura ressurreição, no Cap. 12:1.

2.9)       Conclusão

A Daniel é ordenado que proteja as palavras que tinham acabado de lhe ser reveladas até o tempo do fim. O conhecimento dos propósitos de Deus se encontra no mundo, nas Escrituras, mas os homens correrão de um para outro lado em vão, não os procurando no único lugar em que a verdade pode ser encontrada. O versículo sete se refere novamente à duração do poder do Anticristo e ao seu fim. Os números que aparecem nos versículos 11 e 12 devem ser tomados simbolicamente-os 1.290 dias simbolizando o período da perseguição movida por Antíoco, enquanto que os 1.335 dias aparentemente simbolizam o período inteiro da perseguição, até sua consumação.

Aquele que perseverar durante todo esse período será bendito. O próprio Daniel é assegurado quanto à sua salvação, e que receberia sua porção no fim dos dias. Que esse mesmo destino seja o de todos quantos lerem estas palavras.

 

Apocalipse 1:3:  “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.”

 

 

•3.  BIBLIOGRAFIA

LOHSE, Eduard, Introdução ao Novo Testamento – Editora Sinodal.

Menezes, Josias Moura. Prática da Interpretação de literatura Profética.

MEYER, F.B., Comentário Bíblico Devocional – Editora Betânia.

TURNER, Donald D., Introdução do Novo Testamento – Imprensa Batista Regular.

ELWELL, Walter A. , Manual Bíblico do Estudante – CPAD.

BOYER, Orlando S., Pequena Enciclopédia Bíblica – Ed. Vida.

Conciso Dicionário Bíblico – Imprensa Bíblica Brasileira

Bíblia de Referência Thompson – Tradução de João Ferreira de Almeida – Versão Contemporânea – Ed. Vida

Estudo do Novo Testamento – Neusa Rocha de Souza

Bíblia Sagrada – Tradução de João Ferreira de Almeida – Versão Revista e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil.

CHAMPLIN, R.N. ; BENTES, J.M. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.

Menezes, Josias Moura. A Crise da Hermenêutica.

Bíblia da aplicação pessoal; Notas explicativas.

Bíblia de Genebra; Idem.

Bíblia de estudo NVI; Idem.

Bíblia de Jerusalém; Idem.

Bíblia de estudo Plenitude; Idem.

Bíblia on Line 3.0, Artigos em Língua Inglesa e Novo comentário da Bíblia.

Bíblia Católica; Referência ao texto apócrifo de I Macabeu.

•4.  Informações do professor

Pr Josias Moura de Menezes

Bacharel em Teologia – Especialização em Missiologia e Hermenêutica Bíblica

Mestrando em Ministérios globais (Em curso)

Experiências anteriores do professor.

Foi Professor  nas seguintes instituições: Instituto Bíblico Betel Brasileiro PB – Seminário Batista Mineiro MG – Faculdade Batista da Lagoinha em BH – Faculdade de Teologia e Ciências Sociais do Recife – Seminário Congregacional em Brasília – Curso de preparação de lideres em BH – Curso de pós graduação em Brasília no Seminário Congregacional. Atualmente professor no Instituto Bíblico Betel e no Seminário Congregacioal

 

compartilhe esta mensagem:

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Pinterest
Print
Email
CURSOS EAD
Faça um curso Ead 
Gratuito
com certificação

Cursos a distância gratuitos

Cursos Ead parceria 
Setebras

Curso Ead: Introdução ao Marketing digital

Curso Ead gratuito parceria com o Setebras.

Curso Ead: Introdução ao Marketing digital

Mais informações aqui

Curso Ead: Gestão de Projetos

Curso Ead gratuito parceria com o Setebras.

Curso Ead: Gestão de Projetos

Mais informações aqui

Curso Ead: Inovação e Criatividade

Curso Ead gratuito parceria com o Setebras.

Curso Ead: Inovação e criatividade

Mais informações aqui
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
POSTAGENS ANTERIORES

Faça um curso teológico Gratuito

QUER FAZER UM CURSO DE TEOLOGIA GRATUITAMENTE?

Faça um curso de teologia com acesso gratuito a todo o conteúdo em nosso ambiente de educação a distância. 

 

CLIQUE AQUI PARA MAIS INFORMAÇÕES


 

Veja também o nosso vídeo divulgativo:

Assine este site.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 7.183 outros assinantes